EDITORIAL

A transformação do mundo

O Movimento altermundialista (altermundo = busca de outro mundo possível) nasce da contestação ao neoliberalismo. Ele se constitui no inicio dos anos 1980 nas[...]
por: Silvio Caccia Bava
30 de maio de 2011
Crédito da Imagem: Lollo

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O Movimento altermundialista (altermundo = busca de outro mundo possível) nasce da contestação ao neoliberalismo. Ele se constitui no inicio dos anos 1980 nas lutas de resistência às políticas neoliberais. Ele prolonga e renova os movimentos de emancipação que, em cada momento histórico, o precederam: as lutas sociais e o movimento operário, as lutas contra o colonialismo, as lutas por liberdades. Acompanhando a convergências de movimentos sociais, o altermundialismo incorpora as bandeiras ambientalistas em defesa da ecologia e do planeta.

É uma articulação em escala mundial das mobilizações e lutas em defesa da cidadania, seu principal momento de encontro são os Fóruns Sociais Mundiais.

Trabalha para tornar evidente a lógica do sistema neoliberal, contribui para a tomada de consciência de sua natureza e suas conseqüências, desvelando os laços entre a crise do neoliberalismo e a crise do sistema capitalista. Opõe-se ao modelo de uma expansão ilimitada e sem freios.

O movimento altermundialista é confrontado com a necessidade de responder com urgência à deterioração das condições de vida das maiorias, às restrições das liberdades e às guerras, mas igualmente à necessidade de uma transformação estrutural das sociedades e do mundo.

As novas culturas políticas, as novas referências comuns, se constroem em práticas de resistência criadas por uma nova geração que forjou seus valores em um meio filosófico, científico e tecnológico novo, que combina o espaço virtual da internet com o espaço dos territórios, que combina a afirmação de um individualismo com visões coletivas e novas formas de cooperação. Os movimentos se definem por suas lutas, por suas práticas, mais que por um pertencimento ideológico.

Trata-se de enfrentar uma crise que é, ao mesmo tempo, uma crise do neoliberalismo e do próprio sistema capitalista. É uma crise civilizatória que se expressa nas crises sociais, democráticas, geopolíticas, ecológicas.

Em sua positividade, o movimento altermundialista retoma as trajetórias históricas das lutas pelo acesso aos direitos para todos e pela igualdade de direitos em escala mundial. Direitos civis e políticos; econômicos sociais e culturais; direitos dos povos, direitos ecológicos.

O movimento altermundialista é formado pela convergência de movimentos sociais e cidadãos e implementa uma cultura política fundada sobre a diversidade e a horizontalidade. O desafio é inventar novas formas de relação entre a questão social e os movimentos sociais, a política e as instituições. O imperativo democrático está no centro desta estratégia, que avança novas proposições de saída do neoliberalismo e de superação do capitalismo.

Como todo sistema, o capitalismo não é eterno, ele teve um começo e terá um fim. Sua superação é um desafio da atualidade. É necessário desenhar e preparar um outro mundo possível.

Este editorial é uma síntese da Introdução do livro “Une Stratégie Altermondialiste”, de Gustave Massiah, publicado pela editora La Découverte, Paris, 2011.

Silvio Caccia Bava

Diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil

 



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