Arquivos Edição - 123 - Le Monde Diplomatique

Comércio ameaça agricultura africana

O vento do livre-comércio sopra cada vez mais forte sobre o continente negro. De um lado, a União Europeia aumenta a pressão sobre as capitais africanas para finalizar a assinatura de acordos de parceria econômica (APEs)1 e acabar com as preferências comerciais não recíprocas: para conservar a isenção de tarifas alfandegárias sobre suas exportações para …

Círculo vicioso das crises alimentares na África

A fome ameaça a humanidade desde o início dos tempos. As mais antigas representações do fenômeno vêm do Egito antigo, onde encontramos cenas de escassez pintadas nas paredes dos túmulos faraônicos. Hoje, as penúrias no sentido estrito são mais raras, mas ainda existem. Algumas regiões conhecem “fomes silenciosas” que passam despercebidas aos olhos do mundo. …

O século de Lenin

URSS: União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. De início, o nome não remetia a um território, mas a uma ideia: a revolução mundial. Suas fronteiras seriam aquelas da revolta que triunfara na Rússia, depois daquelas que se esperavam em outros lugares. No canto superior direito de uma imensa bandeira vermelha, uma foice e um martelo simbolizavam …

A fonte da contestação popular

Em 1917, após três anos de guerra, o entusiasmo patriótico dos soldados se voltou contra o Império Russo. Um deles confessou à sua enfermeira: “É que antes eu não sabia até que ponto os ricos viviam bem. [Na frente de combate], começamos a nos alojar em casas requisitadas e vi como ali tudo era bom; …

Em nome do povo ou com o povo?

Pouco antes do Outubro de 1917, Lenin achava que a primeira tentativa de derrubar o poder czarista em 1825, em São Petersburgo, havia fracassado principalmente porque os revoltosos estavam “muito longe do povo”. Embora visse com benevolência os primeiros a desafiar o czarismo, ressaltava o abismo existente entre os bolcheviques e os insurretos de 1825. …

Quando a revolução hesita

Para os historiadores de direita, ávidos por desqualificar a própria ideia de revolução, o verme estava no fruto: “A repressão de massa não foi um acidente nem uma resposta a uma situação difícil, mas um componente do projeto leninista”, afirma Dominique Colas.1 Seus colegas de esquerda, ao contrário, enfatizam as circunstâncias que levaram os bolcheviques …

Cuba quer o mercado, mas sem capitalismo

Raul Castro conversa com Michelle Obama durante visita do casal presidente norte-americano a Havana,  em março 2016 Berimbau de boca, fachadas degradadas, estéticas ultrapassadas: para a maioria dos observadores, a vida cotidiana cubana ilustra a obsolescência de sua retórica política. Comunista, a ilha parece parada no tempo. O cheiro de naftalina só é interrompido durante …

Produzir o comum

Produzir o comum é produzir o que é de todos, o que todos partilham em comum. E, se é de todos, não é de ninguém, não pode ser comercializado, não pode ser privatizado. É público. É produzir uma sociedade colaborativa, solidária, com ampla participação cidadã em suas instâncias políticas, com um governo voltado para a …

Vamos repensar os caminhos da esquerda?

Sobreviver no Brasil é fazer política. Indígenas, mulheres, trabalhadores, quilombolas, jovens negros, sem-teto, LGBTs, ao levantarem e se afirmarem, resistem todos os dias. Que as práticas e os saberes dessas vidas insurgentes e de seus territórios sejam coletivizados e apontem um novo sentido para o país é o que se espera de um projeto de …

A solidariedade entre nós

  Você, leitora e leitor, que já não aguenta mais o pensamento único que impera nos grandes jornais diários, nas revistas semanais de notícias e nas emissoras de rádio e televisão, todos alinhados na defesa dos interesses do mercado; que já não confia mais nas notícias que vêm pela internet, muitas delas fakes; que se …