Julho 2016

Edição 108

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SOBRE O BOM USO DA INSURREIÇÃO

Para onde a ira leva?

Levante, insurreição, revolta: o fogo da ira social dá origem a um acontecimento imprevisível que, entre a festa e a violência, a alegria e o ressentimento, está constantemente suscetível de se perverter, se não for simplesmente esmagado ou canalizado pela autoridade contra a qual se dirige. Isto é, revolta nem sempreGeorges Didi-Huberman


PARA ALÉM DAS REVELAÇÕES DOS “PANAMA PAPERS”

Como acabar com a impunidade fiscal

A sucessão de escândalos sobre sonegação de impostos em escala internacional traz à tona a amplitude da impunidade fiscal de que gozam os mais poderosos e os mais espertos. Longe de ser uma fatalidade, isso é resultado de escolhas políticasEva Joly


A RETOMADA DOS PRIVILÉGIOS

Brasil em transe: crise política, golpe de Estado e perspectivas da esquerda

O golpe de Estado por meio do governo Temer busca destruir as bases do projeto nacional-popular e de organização dos movimentos sociais e pretende aprofundar o protagonismo do capital financeiro, tornando-o política de EstadoCarlos Eduardo Martins


A RETOMADA DOS PRIVILÉGIOS

Depois do golpe, o Estado penal

O cenário atual anuncia o acirramento dos protestos. Nesse contexto, nomear Alexandre de Moraes para chefiar a Justiça não parece ser um acaso. Parece anunciar que a falta de afinidade desse governo com a democracia não está apenas em sua origemMarta Rodriguez de Assis Machado


EM DEFESA DE DIREITOS CONQUISTADOS

O golpe de Estado contra os direitos

Se alguém tinha dúvidas sobre a má-fé e os objetivos reais do impeachment, os primeiros dias de governo do presidente interino foram muito didáticos.Paulo Sérgio Pinheiro


A RETOMADA DOS PRIVILÉGIOS

A maior traição à Constituição

A Constituição de 1988 nos brindava com substanciais avanços: a laicidade do Estado; os direitos de mulheres, negros e indígenas; a reforma agrária; a vocação para a cultura de paz do povo brasileiro; a liberdade religiosa e de opinião.Antonio da Silva Pinto


A RETOMADA DOS PRIVILÉGIOS

O golpe é patriarcal, sexista, capitalista e midiático

Quem são os articuladores desse golpe em vigência? São homens brancos, ricos, violentos e vorazes, os quais se explicitaram como estruturantes do patriarcado brasileiro, que une gênero, raça e classeEleonora Menicucci


MERCADO E DEMOCRACIA

Liberal-conservadorismo à brasileira

Apresentando-se como novidade diante da derrocada do pacto social lulista, nosso liberalismo contemporâneo constitui, na verdade, uma reprodução em versão atualizada da natureza histórica conservadora e antidemocrática do liberalismo à brasileira – da convivência com o escravismo no século XIX ao golpismo neoliberalFabio Mascaro Querido


DEMOCRACIA

Que horas ela volta?

Patrões e classes médias percebem a melhora de vida das classes subalternas como ameaça a seus privilégios, e trabalhadores, apenas como fruto de seu esforço individual. Em comum, a alienação das lutas políticas e dos processos históricos que sustentam as dinâmicas sociais, e um mito de emancipação pelo consumo comparPaulo Augusto André Balthazar


BREXIT

Uma Europa a ser refeita

Serge Halimi


UMA UNIÃO EUROPEIA À IMAGEM DO REINO UNIDO

O legado britânico para Europa

Bruxelas e Londres vão encontrar um arranjo institucional para organizar a saída decidida pelos eleitores britânicos em 23 de junho. Mas o resultado do referendo obriga os dirigentes europeus a repensar inteiramente o projeto comum, que foi reduzido a uma zona de livre-comércio, graças à pressão do Reino UnidoBernard Cassen


PRIVATIZAÇÕES SABOTAM A RECUPERAÇÃO DO PAÍS

Grécia, a grande liquidação!

Com uma arma na cabeça, em 2015 Atenas capitulou diante das exigências de seus “parceiros” europeus. Cada vez mais, suas decisões orçamentárias e fiscais são orientadas pelo acordo assinado. E o programa de privatizações imposto à Grécia orquestra a maior transferência de propriedade jamais realizada na União EuropeiaNiels Kadritzke


FRANÇA: MILITANTES EM FUGA, POLÍTICOS PERDIDOS

A autodestruição do Partido Socialista

Subjugado pelos dogmas do “mercado livre” e amarrado a Bruxelas, François Hollande, alegando lutar contra o desemprego, está obstinado em impor o desmantelamento da legislação trabalhista. Diante da rejeição da maioria dos sindicatos, dos franceses e dos parlamentares, ele tenta forçar a aprovação da reformaRémi Lefebvre


UMA VIRULENTA CAMPANHA ANTISSINDICAL

Informação controlada na França

Antes que a indignação provocada o obrigasse a recuar, o governo de Manuel Valls tentou proibir uma manifestação sindical na França. Esse desvio autoritário deve muito ao clima de guerra social gerado pelos principais meios de comunicaçãoPierre Rimbert


PENÚRIA E CONTRABANDO MINAM A SOCIEDADE E AMEAÇAM O GOVERNO

Na Venezuela, chavistas tentam salvar a revolução

À medida que a penúria se agrava, a Venezuela afunda no caos econômico. Vitoriosa nas eleições legislativas de dezembro de 2015, a direita tenta organizar um referendo para revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro, sucessor de Hugo ChávezLoïc Ramirez


CINGAPURA, MALÁSIA, INDONÉSIA

Triângulo do crescimento ou das desigualdades?

O acordo que facilita as relações comerciais entre Cingapura, Malásia e Indonésia figura como um modelo reduzido do mundo globalizado. Os discursos oficiais sobre a complementaridade dos três países justificam a exploração desavergonhada das diferenças de desenvolvimento entre parceiros desiguaisPhilippe Revelli


LITERATURA

Eduardo Galeano, a voz da fraternidade

Despertar o espírito de libertação, contar pequenas histórias que ajudam a enxergar a grande, sensibilizar sobre as razões para chorar e as razões para rir de nossa realidade comum: esses foram os objetivos de Eduardo Galeano. Da evocação da cultura popular à celebração dos horizontes a expandir, o escritor uruguaio enSébastien Lapaque


UMA IDEIA REVOLUCIONÁRIA... OU NÃO!

A renda básica e seus falsos cognatos

Do Fórum Econômico de Davos ao Vale do Silício, passando pelas assembleias do movimento Nuit Debout, a renda básica está, há alguns meses, em todas as bocas. A Finlândia anuncia querer instaurá-la; os suíços votaram a respeito em junho. Mas, entre a utopia emancipadora e uma tímida reforma, há um mundo de opções…Mona Chollet


EDITORIAL

Bancadas da cidadania

Silvio Caccia Bava