Julho 2017

Edição 120

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NAS TRINCHEIRAS DA RESISTÊNCIA

Os limites da democracia brasileira

Edição 120 | Brasil

Com o golpe da cleptocracia e a tal “agenda de reformas”, o impasse entre direitos e mercado está sendo de algum modo resolvido, mudando a Constituição para bem pior. Ou seja, estamos num momento em que está sendo mandado às favas aquele pacto democrático capenga que, bem ou mal, nos dava alegrias cidadãsCândido Grzybowski


COMO ENFRENTAR A CRISE

A democracia no Brasil ou a (des)esperança equilibrista

A “democracia” brasileira encontra-se na “corda bamba equilibrista”: de um lado, o autoritarismo enevoado pelas formalidades legais falsamente democráticas, desestruturadoras dos direitos políticos, sociais e trabalhistas; de outro, a luta dos trabalhadores e dos pobres em busca destesFrancisco Fonseca


ARROCHO JÁ DURA MAIS DE TRINTA ANOS

Austeridade fiscal permanente do fundo público

Com seus primeiros passos nos anos 1980, materialidade na década de 1990, continuidade na primeira década do novo milênio e agora constitucionalmente definido até 2036, pode-se dizer que o ajuste fiscal do fundo público, que é seletivo por castigar a população pobre, além de permanente, tornou-se constitucionalJuliano Giassi Goularti


FRANÇA E ESTADOS UNIDOS

Golpes democráticos

Nunca na história do voto universal na França uma eleição legislativa mobilizou tão pouca gente (mais de 56% de abstenção, contra 16% em 1978…). Esse placar pífio, no estilo norte-americano, concluiu uma campanha nacional quase ausente, com ritmo ditado por “casos” com frequência secundários.Serge Halimi


SOCIEDADE EM EBULIÇÃO

A nova imprensa da extrema direita alemã

Impor sua agenda no debate público, levar a batalha cultural paralelamente ao combate político: na Alemanha, como em outros lugares, as formações nacional-conservadoras se aplicam em preencher essa dupla tarefa. Isso passa pela criação de revistas, editoras e jornais. É o caso do Junge Freiheit, semanário que conheceu um crescimento fulgurante nos últimos anosRachel Knaebel


UM PARTIDO EXAURIDO PELA ALIANÇA COM MERKEL

A desorientação da social-democracia alemã

As eleições legislativas de 24 de setembro não anunciam bons presságios para o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Para além das decepções nos últimos escrutínios regionais e das alianças acrobáticas, o núcleo de sua ideologia parece ter se desintegrado. Nas administrações locais, militantes desconcertados procuram em vão por uma linha mais bem definidaWilliam Irigoyen


NA EUROPA, MENOS CONSTITUIÇÃO, MAIS DEMOCRACIA

Quando a justiça dilui o eleitorado

A justiça da União Europeia tornou-se um novo terreno de confronto para empresas e governos, tendo como pano de fundo a construção do Mercado Comum. Desse modo, elaborou-se toda uma jurisprudência que contribui para deslegitimar a UE. Contudo, desde os anos 1970, a Corte Constitucional alemã detectou tal déficit democráticoDieter Grimm


A UBERIZAÇÃO DO TRABALHO NÃO É INEVITÁVEL

Um assalariado sem submissão é possível

Na esperança de persuadir os opositores da reforma trabalhista, o governo francês agendou mais de oitenta reuniões com sindicatos daqui até setembro. Mas consultar não é negociar, muito menos coescrever a lei. Não seria a hora de trilhar o caminho para pôr fim às relações de subordinação próprias do contrato de trabalho, reforçando os direitos sociais?

Danièle Linhart


REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA NO RIO DE JANEIRO

Direito ou gentrificação?

A substituição das populações originais por outras de maior renda contribuirá para a radicalização do “modelo” centro versus periferia, que tem por base o preço da localização e pressupõe que os mais pobres devam ocupar dispersamente as margens da cidade, em locais sem infraestrutura e equipamentos sociaisManoel Ribeiro


SERES HUMANOS VARRIDOS EM SÃO PAULO

Fazer sumir: políticas de combate à Cracolândia

É política concreta de “arrasa quarteirão”, que, com rapidez, eficácia, legalidade duvidosa e estratégia militarizada, visa erradicar essa famigerada territorialidade, abrindo espaço para acionar práticas de fazer sumir os que conflitam com o projeto de cidade limpa, moderna e parceira da iniciativa privadaFábio Mallart, Marina Mattar, Taniele Rui e Vera Telles


ARROCHO JÁ DURA MAIS DE TRINTA ANOS

Austeridade fiscal permanente do fundo público

Com seus primeiros passos nos anos 1980, materialidade na década de 1990, continuidade na primeira década do novo milênio e agora constitucionalmente definido até 2036, pode-se dizer que o ajuste fiscal do fundo público, que é seletivo por castigar a população pobre, além de permanente, tornou-se constitucionalJuliano Giassi Goularti


UMA INTEGRAÇÃO EXEMPLAR?

Árabes na América Latina

Existe racismo na América Latina. Ele atinge com mais frequência os negros, assim como imigrantes bolivianos, peruanos e colombianos. As comunidades árabes, contudo, raramente sofrem com os estigmas que frequentemente lhes são impostos na Europa. Para explicar o fenômeno é preciso analisar como foi a chegada dessas pessoas à região e a posição social que ocupamLamia Oualalou


CHUVA DE PETRODÓLARES

A temível influência saudita nos EUA

Mornas durante o mandato de Barack Obama, as relações entre Arábia Saudita e Estados Unidos voltaram a esquentar com a ascensão de Donald Trump. Uma evolução surpreendente quando lembramos a virulência deste contra a monarquia wahabita antes das eleições, mas compreensível se considerarmos a eficiência do lobby pró-saudita norte-americanoDaniel Lazare


DA INDEPENDÊNCIA À MISÉRIA

Irmãos inimigos no Sudão do Sul

Seis anos após a independência, o Sudão do Sul é devastado pela guerra civil. Mediadores dirigem-se, desordenadamente, para o pequeno país petroleiro da África central. Mas não é possível vislumbrar nenhuma paz sustentável sem afastar as simplificações midiáticas: o conflito não é “étnico”, é político. E suas raízes remontam à colonização britânicaGérard Prunier


PROMESSAS E PERIGOS DA REVOLUCÃO GENÉTICA

Somos todos mutantes

É preciso modificar seres vivos transformando as informações que os organismos transmitem de uma geração a outra? Dispomos cada vez mais de ferramentas que permitem interferir nos genomas de maneira dirigida e precisa, o que a natureza faz aleatoriamente. Antes do êxtase ou do pavor, a perspectiva reclama uma reflexão racional: por que e para que fazer isso?Bernard Dujon


PROMESSAS E PERIGOS DA REVOLUCÃO GENÉTICA

Último salto rumo à seleção humana

Recentemente, assistiu-se ao surgimento de tecnologias genéticas complexas, cujos poderes fascinantes e temíveis foram popularizados pelos meios de comunicação: o CRISPR-Cas9, “tesoura genética”, e o gene drive, ou “forçagem genética”. Um primeiro teste chinês que usou a tecnologia CRISPR em 2015 para reparar embriões humanos anormais acelerou a autorização de projetos de pesquisa em vários outros países, entre os quais Reino Unido e Estados UnidosJacques Testart


CINEMA E IDEOLOGIA

Hollywood e a liberdade norte-americana

A liberdade chegou a um nível jamais atingido, mas não sabemos o que fazer com ela. Uns até a condenam. Ronda o ódio à democracia. Por que não reivindicar uma democracia mais real? O que vemos são pessoas reclamando de ela ser real demais. Ledo engano. O que não podemos é defender uma democracia disforme, que se desdobra para atender aos interesses capitalistas – a que Hollywood reproduz com excessiva confusão de efeitos especiais e cenas românticasRaphael Silva Fagundes


TEATRO

Reencontrar o riso de Bertolt Brecht

Uma vez que propunha ao espectador o prazer de se libertar das falsas verdades que escondem a ordem vigente, Bertolt Brecht abriu a representação teatral a um campo totalmente novo, tanto na forma como nos objetivos. Essa agitação foi celebrada durante sua descoberta na França, mas pouco a pouco neutralizada. Seu tímido retorno assinala a audácia de pensar com alegriaMarie-Noël Rio


ELEIÇÕES TIRAM A MÁSCARA DA MÍDIA FRANCESA

Uma barreira também pode esconder outra

“Nosso sistema” persegue um duplo objetivo. De um lado, reorganizar a paisagem ideológica em torno de uma divisão entre liberais-atlantistas e todos os outros – ambição que converge, aliás, com a da FN (“patriotas contra globalistas”).Pierre Rimbert


EDITORIAL

Vamos falar de populismo

Em sua definição, que é ambígua, o populismo é caracterizado como um modo de fazer política. O populismo propicia a construção de um sujeito político – o povo – por meio da identificação antagônica de um outro: aquele que o oprime, que seria causa de suas desventuras.Silvio Caccia Bava e Jorge O. Romano