Outubro 2008

Edição 15

R$14,90Comprar

Refugiados globais

Migração sem escolha

Calcula-se hoje que entre 100 e 200 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a deixar suas casas, seja por guerras, desastres naturais ou projetos de desenvolvimento, como construções de barragem e centros industriais. Atualmente, os pesquisadores tentam agregar a essa estatística uma nova forma de deslocamento forçado: o econômico.Philippe Rekacewicz


ELEIÇÕES EUA

Os democratas na conquista do Oeste

Campanha de Obama decide enfrentar os republicanos em seu reduto mais forte –
uma região onde o eleitorado, rural e conservador, adora armas, rejeita o aborto, abomina
ambientalistas e desconfia de tudo que tem a ver com o EstadoSerge Halimi


ANÁLISE

O patriotismo de cada um

Serge Halimi


CRÔNICA

Planeta-prisão

O Gulag não existe mais. Existem, sim, milhões de indivíduos
que hoje trabalham sob condições semelhantes às daquele
tempo. Submetidos ao jogo do mercado, os governos impõem,
por meio da lei, da força e de ameaças econômicas e de
desinformação, regimes de “morte civil” em massaJohn Berger


ELEIÇÕES EUA

McCain e Obama: as idéias sobre política externa

Embora os dois candidatos se mantenham no terreno do discurso aceitável pelo “mainstream” da política americana, há nuances significativas. A discordância mais profunda diz respeito à atitude perante a Rússia: enquanto Obama defende o diálogo, McCain aposta em um confronto nos moldes da Guerra FriaMichael Klare


Matéria de Capa / Eleições americanas

McCain e Obama: as idéias sobre política externa

Embora os dois candidatos se mantenham no terreno do discurso aceitável pelo mainstream da política americana, há nuances significativas. A discordância mais profunda diz respeito à atitude perante a Rússia: enquanto Obama defende o diálogo, McCain aposta em um confronto nos moldes da Guerra FriaMichael Klare


Análise

O patriotismo de cada um

Serge Halimi


Matéria de capa / Eleições americanas

Os democratas na conquista do Oeste

Campanha de Obama decide enfrentar os republicanos em seu reduto mais forte – uma região onde o eleitorado, rural e conservador, adora armas, rejeita o aborto, abomina ambientalistas e desconfia de tudo que tem a ver com o EstadoSerge Halimi


Entrevista / Noam Chomsky

“Os Estados poderosos se opõem à democracia”

Para o eminente lingüista americano, o presidente George W. Bush “atuou como se trabalhasse para Osama bin Laden” e fez deste governo o primeiro na história do país a se declarar “oficialmente a favor da tortura”. E o futuro não é nada animador: os dois principais candidatos à sucessão estão à direita do eleitoradoGaspar Segrafredo


Capitalismo em crise I

O dia em que o Fed se tornou socialista

Na iminência de uma quebradeira apocalíptica, os chefes da Reserva Federal e do Tesouro americano jogam no lixo os sagrados dogmas liberais e orquestram um resgate-monstro que inclui nacionalizações de dar inveja a Hugo Chávez. Mas o cassino financeiro continua, com apostas cada vez mais altasFrédéric Lordon


Capitalismo em crise I

Fannie Mae e Freddie Mac vão para o brejo

Criadas pelo Estado para facilitar o acesso à casa própria, as duas gigantes do crédito imobiliário mergulharam no cassino da especulação. Seus dirigentes, movidos pela lógica do lucro máximo, cometeram falcatruas para engordar os ganhos pessoais. O resultado foi uma falência de US$ 5,4 trilhõesIbrahim Warde


(In)Segurança publica

Combater as milícias, uma questão de soberania

Finalmente, a sociedade e os parlamentares do Rio de Janeiro superaram a postura de condescendência e passaram a tratar os milicianos que praticam a violência em nome da “ordem” como o que eles realmente são: criminosos que aterrorizam as comunidades pobres, extorquindo dinheiro em troca de “proteção”Marcelo Freixo


Campanhas municipais

A mídia perde espaço

A influência eleitoral dos meios de comunicação está cada vez mais limitada no país. Conforme a democracia se consolida, a população passa a definir seu candidato com base em avaliações objetivas de suas condições de vida. E não há mídia poderosa ou marqueteiro genial capazes de mudar issoGustavo Venturi


Desenvolvimento

BNDES: o reforço à dinâmica dos negócios

Priorizar a agropecuária, a indústria extrativista e a metalurgia é uma opção de desenvolvimento. E as razões que levam o Brasil a permanecer ancorado nesses setores intensivos em natureza são tão contundentes quanto a necessidade de superá-lasJoão Roberto Lopes Pinto


Ajuda humanitária

Entre a independência e a manipulação política

De acordo com as leis internacionais, a ação humanitária deveria ser realizada de maneira neutra, independente, imparcial e humana. Porém, desde os anos 1990, seu papel vem sendo revisto. Como conseqüência, o exercício do direito de ingerência tem trazido consigo soldados e políticosEric Stobbaerts


Direitos humanos

O preço da saúde na África

Entre os desafios que os africanos têm de enfrentar cotidianamente, a busca por tratamento médico adequado é um problema central. Enquanto a saúde pública tenta se reerguer, o modelo privado predomina e todos os anos milhões de vidas de camponeses e trabalhadores pobres são perdidasValéry Ridde|Blanchet Karl


Guerra de guerrilhas

A força dos neotalebãs

Misturando a ideologia da Al Qaeda ao know-how militar adquirido dos centros de formação do exército paquistanês, os “neotalebãs” passaram a controlar o teatro de operações afegão e, pela primeira vez, o número de soldados ocidentais mortos no país superou as baixas no IraqueSyed Saleem Shahzad


Relações interamericanas

América Latina reduz sua dependência dos EUA

Sem alarde, o antigo “quintal” dos Estados Unidos deixa para trás sua histórica subordinação a Washington, buscando novos parceiros fora do continente e fortalecendo a capacidade de ação estatal. A Doutrina Monroe (“a América para os americanos”… do Norte) está se desvanecendo, lentamenteJuan Gabriel Tokatlian


Sociedade do controle

O contraterrorismo global

A cultura do medo é semeada cotidianamente no Ocidente por meio de restrições migratórias, da xenofobia e do sacrifício das conquistas democráticas. Em nome da luta antiterrorista, criou-se uma sociedade global dividida e apavorada, pronta para aceitar práticas desumanas de torturaDidier Bigo


Fórum Social Mundial das Migrações

Por um mundo sem muros

Seja por razões políticas, econômicas ou sociais, os migrantes somam hoje 160 milhões de pessoas. Fruto de intenso debate sobre o problema, a II Declaração de Rivas, subscrita por mais de 2 mil movimentos e organizações de 90 países, reafirma a importância de respeitar os direitos humanos e combater a desigualdadeDeclaração de Rivas


Novos paradigmas I

A economia invisível dos pequenos

À margem dos circuitos oficiais, uma multiplicidade de atores econômicos de porte modesto preenche os interstícios dos grandes negócios, preservando o espaço urbano como um território de cultura, vida e liberdade – uma resposta à segregação social da metrópole capitalistaMônica Arroyo


Novos paradigmas II

Recuperando o sonho do pleno emprego

A diminuição do desemprego e da pobreza abre espaço para a construção de um novo modelo de estruturação do país. A partir das idéias de Hyman Minsky sobre “o Estado como empregador de última instância”, aliadas às reflexões de Milton Santos, é possível repensar as políticas públicas em busca de opções transformadorasLuiz Eduardo Parreiras


Novos paradigmas III

Tecnologia a serviço da inclusão produtiva

A modernização tecnológica abre espaço tanto para a circulação do conhecimento quanto para a interação eficiente entre os agentes econômicos. Surge, assim, um potencial de dinamização dos pequenos produtores e das economias locaisLadislau Dowbor


Círio de Nazaré

Drama, fé e carnaval

Religiosa, mas sem abandonar os prazeres da carne, a festa que domina a cidade de Belém nada mais é do que a reverberação de um espírito de adaptação do catolicismo. Manifestação da fé em nível corpóreo, a louvação a Nossa Senhora de Nazaré reúne todos os anos milhares de devotos ávidos por pagar suas promessasAfonso Medeiros


Crônica

Planeta-prisão

O Gulag não existe mais. Existem, sim, milhões de indivíduos que hoje trabalham sob condições semelhantes às daquele tempo. Submetidos ao jogo do mercado, os governos impõem, por meio da lei, da força e de ameaças econômicas e de desinformação, regimes de “morte civil” em massaJohn Berger


Entretenimento

O folhetim da discórdia

Um casal muçulmano que resolve seus problemas por meio do diálogo, consome bebidas alcoólicas e faz sexo antes do casamento. Estes são os protagonistas da série turca Noor, que tem registrado uma audiência estrondosa no mundo árabe e provocado debates fervorosos sobre a vida a dois dentro do IslãJulian Clec’h


FRANÇA

Sarkozy-Bonaparte

O conceito de bonapartismo por certo não se aplica ao atual regime político francês. Mas as semelhanças entre o novo presidente e o imperador Napoleão III vão além do gosto pelo falso brilhante, dos conchavos com amigos ricos e do liberalismo de tipo anglo-saxão. Uma composição social muito peculiar conferiu a ambos o poderAlain Garrigou


NUCLEAR & SAÚDE

A conspiração do silêncio

Há 50 anos, as conseqüências sanitárias das atividades nucleares são ocultadas pela Organização Mundial da Saúde. Nesse período, concentrações nocivas de radionuclídeos acumularam-se na terra, na água e no ar. Mesmo assim, todos os estudos que alertavam sobre o impacto das radiações foram solenemente ignorados. O lucro falou mais alto que o bem-estar.Alison Katz


CAPITALISMO EM CRISE II

Fannie Mae e Freddie Mac vão para o brejo

Criadas pelo Estado
para facilitar o acesso
à casa própria, as duas
gigantes do crédito
imobiliário mergulharam
no cassino da especulação.
Seus dirigentes, movidos
pela lógica do lucro máximo,
cometeram falcatruas para
engordar os ganhos pessoais.
O resultado foi uma falência
de US$ 5,4 trilhõesIbrahim Warde


DIREITOS HUMANOS

O preço da saúde na África

Entre os desafios que os africanos têm de enfrentar cotidianamente, a busca por tratamento médico
adequado é um problema central. Enquanto a saúde pública tenta se reerguer, o modelo privado predomina e todos os anos milhões de vidas de camponeses e trabalhadores pobres são perdidasValéry Ridde|Blanchet Karl


FILIPINAS

Progressistas na linha de fogo

Com o patrocínio dos Estados Unidos e sob o pretexto de combater o terrorismo islâmico, o governo de Gloria Macapagal Arroyo reprime sistematicamente os movimentos sociais. Cada liderança que se destaca é perseguida e, não raro, exterminada. Agredida, a sociedade civil exige a renúncia da presidentePhillippe Revelli


ENTRETENIMENTO

O folhetim da discórdia

Um casal muçulmano que resolve seus problemas por meio do diálogo, consome bebidas alcoólicas e faz sexo antes do casamento. Estes são os protagonistas da série turca Noor, que tem registrado uma audiência estrondosa no mundo árabe e provocado debates fervorosos sobre a vida a dois dentro do IslãJulian Clec’h


Editorial

Eleições 2008: mais do mesmo

Silvio Caccia Bava


SOCIEDADE DO CONTROLE

O contraterrorismo global

A cultura do medo é semeada cotidianamente no Ocidente por meio de restrições migratórias,
da xenofobia e do sacrifício das conquistas democráticas. Em nome da luta antiterrorista, criou-se
uma sociedade global dividida e apavorada, pronta para aceitar práticas desumanas de torturaDidier Bigo


CULTURA / LÍNGUAS

Falar o árabe

A retórica e a eloqüência da tradição literária árabe remontam a mais de mil e duzentos anos. Foram escritores de Bagdá, como Al-Jahiz e Al-Jurjani, que elaboraram, então, sistemas inacreditavelmente inteligentes e modernos. Seu trabalho baseou-se no texto do Corão, que se tornou o modelo de tudo o que veio depois dele em matéria lingüísticaEdward W. Said


Infra-estrutura a serviço do grande capital

Com as bênçãos de Washington e o apoio financeiro do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), dez países sul-americanos vêm levando adiante a um conjunto de obras gigantescas, voltadas para ajustar as economias da região aos interesses do mercado globalizado e das empresas transnacionaisIgor Fuser


CAPITALISMO EM CRISE I

O dia em que o Fed se tornou socialista

Na iminência de uma quebradeira apocalíptica, os chefes da Reserva Federal e do Tesouro americano jogam
no lixo os sagrados dogmas liberais e orquestram um resgate-monstro que inclui nacionalizações de dar inveja
a Hugo Chávez. Mas o cassino financeiro continua, com apostas cada vez mais altasFrédéric Lordon