Setembro 2013

Edição 74

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EDITORIAL

É muito dinheiro!

Silvio Caccia Bava


O PESO DA SONEGAÇÃO

Os vazamentos do dinheiro público

As eleições nos custam R$ 2 bilhões, é até pouca coisa. Mas a manipulação permitida nos custa centenas de bilhões por meio dos mecanismos que se tornaram legais ou de difícil controle judiciário. A deformação do sistema tributário desonera os muito ricos e fragiliza o setor público, reproduzindo a desigualdadeLadislau Dowbor


MUITOS RECURSOS PARA INVESTIR NO SOCIAL

Para atender às reivindicações dos que foram à luta

Levando em consideração somente o que o governo federal teria a receber (R$ 114 bilhões anuais) daria para construir na cidade de São Paulo mais de 375 quilômetros de metrô (a R$ 300 milhões o km) ou 1,14 milhão de casas populares (R$ 100 mil a unidade, incluindo a desapropriação do terreno) ou 57,5 mil creches…Odilon Guedes


A SONEGAÇÃO

Os ralos do dinheiro público no campo tributário

Uma alternativa para elevar os recursos públicos é fechar seus ralos. No lado dos gastos, é preciso controle para evitar desvios com corrupção, e aprimorar a alocação. Já no lado dos ingressos, é urgente combater os buracos negros no campo tributário, que impedem muitos recursos de ingressar nos cofres estataisClair Maria Hickmann|Dão Real dos Santos|Marcelo Ramos Oliveira


JOVENS SAUDITAS VESTIDAS DE MENINO

Problemas de gênero em Riad

Inspiradas por séries de televisão locais e norte-americanas, estudantes sauditas, independentemente da orientação sexual, adotam um estilo de vestimenta andrógino. Elas se autodenominam buya (“rapazas”)Amélie Le Renard


UMA APOSTA NA AUDÁCIA

Estratégia para uma reconquista

A volta dos debates sobre crescimento e imigração reforça a ideia de que a ordem neoliberal retomou o ritmo de cruzeiro. A crise não parece tê-la abalado permanentemente. Além de esperar que revoltas espontâneas provoquem uma resposta, quais prioridades e qual método podemos imaginar para mudar a realidade?Serge Halimi


HÁ 40 ANOS, O GOLPE CONTRA ALLENDE

Estudantes retomam um ícone

Em setembro de 2011, os estudantes chilenos, apoiados por grandes parcelas da população, se revoltaram contra o custo exorbitante da educação superior. E encerraram um longo período de negaçãoCamila Vallejo Dowling


HÁ 40 ANOS, O GOLPE CONTRA ALLENDE

Santiago em setembro

No dia 11 de setembro de 1973 teve início uma das ditaduras mais brutais da América Latina: mais de 3 mil mortos, quase 38 mil torturados e centenas de milhares de exilados. Alguns dias após o golpe de Estado, o diretor de cinema Bruno Muel foi ao Chile e, a seguir, revela seu testemunho…Bruno Muel


PRODUÇÃO DA DESTRUIÇÃO

Obsolescência planejada: armadilha silenciosa na sociedade de consumo

O crescimento pelo crescimento é irracional. Precisamos descolonizar nossos pensamentos construídos com base nessa irracionalidade para abrirmos a mente e sairmos do torpor que nos impede de agirValquíria Padilha|Renata Cristina A. Bonifácio


CINEMA

Novos amores, antigas melancolias

Em “Boa sorte, meu amor”, a história de amor dos protagonistas diz muito do percurso de duas classes sociais – com toda a beleza, a violência, a alegria e a tristeza que tal estatuto pode comportarMaria Luísa Rangel


DISCRIMINADAS NO TRABALHO, PUNIDAS NA APOSENTADORIA

O duplo castigo das mulheres

O governo francês prometeu uma reforma da Previdência baseada na equidade e que permitiria reparar injustiças. O que será decidido para as mulheres será um marco desse compromisso. Desde 1993, as mudanças reduziram as pensões e tiveram consequências ainda mais negativas para assalariadas. A nova reforma será diferente?Christiane Marty


INVESTIGAÇÃO SOBRE OS MESTRES DO JOGO EUROPEU

Turbinados pelo euro, empresários alemães perdem de vez suas inibições

Catapultada pelo modelo europeu, a indústria alemã não corresponde mais ao estereótipo de seu empresariado, tido como engenhoso e familiar, social e conquistador. Esses representam uma força econômica e financeira com peso em arbitragens tanto europeias como locais. Mas, afinal, em que pensam os patrões da Alemanha?Olivier Cyran


ORIENTE MÉDIO

As palavras do Golfo

Oportunistas e frequentemente na origem dos grandes projetos econômicos no Golfo Arábico-Pérsico, os escritórios de consultoria anglo-saxões entenderam bem o interesse de investir no termo “vision”Akram Belkaïd


HISTÓRIA SOCIAL

Arame farpado; ferramenta rudimentar mas ainda eficaz

Na era das câmeras de vigilância e da identificação biométrica, poderíamos achar que o arame farpado se tornaria obsoleto. Porém, ele continua sendo largamente utilizado em todo o mundo. Inventariar seus múltiplos empregos ou seus substitutos pode ser um exercício rico em ensinamentosOlivier Razac


ÁFRICA DO SUL

O trem dos milagres

O sistema de saúde sul-africano, fracassado, vem sofrendo uma maciça fuga de cérebros. Enquanto isso, um comboio com dezoito vagões abrigando diversas especialidades médicas serpenteia o país há quase vinte anos para dispensar um mínimo de cuidado a seus habitantesGuillaume Pitron


SEM AMIGOS ETERNOS, APENAS INTERESSES PERMANENTES

Confusão diplomática no Egito

Mesmo condicional, a libertação de Mubarak é simbólica. O que começou com mobilizações populares contra Morsi parece um retorno à velha ordem. O poder não apenas quer eliminar a Irmandade Muçulmana, como também ameaça os avanços democráticos da revolta de 2011 − situação que gera alianças internacionais flutuantesAlain Gresh


LÓGICA DA GOVERNABILIDADE COMO ESCOLHA DA DEMOCRACIA

O trabalho de Sísifo da Comissão Nacional da Verdade

Incompleta em sua formação, pouco aberta ao diálogo e à participação, e marcada por brigas e divisões internas, a CNV tem feito um trabalho bastante aquém das expectativas nela depositadas. Quais são as razões dessa crise que tem consumido energias da comissão e levado a uma espécie de bloqueio na busca pela verdade?Edson Teles|Renan Quinalha


RETROCESSO À VISTA

A política de drogas no Brasil e as novas ameaças

Não obstante os importantes avanços na política sobre drogas mundo afora − a exemplo do Uruguai, que acaba de regulamentar o uso da Cannabis −, as supostas bases empíricas utilizadas pelo Parlamento brasileiro são dignas de um “museu de novidades”.João Mendes Lima Júnior e Herbert Martins Toledo