Dezembro 2014

Edição 89

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EDITORIAL

O modelo não para em pé

Silvio Caccia Bava


DESAFIOS DO NOVO MANDATO

Revisitando: Brasil em Weimar

O que está em curso no Brasil é mais do que um golpismo eleitoral: é um complexo e pegajoso processo de destruição da Constituição democrática, pela liquidação do prestígio das instituições políticas do paísTarso Genro


DESAFIOS DO NOVO MANDATO

Continuidade e mudança para superar desigualdades

É necessário permanentemente tomar consciência da injustiça nas diferentes formas de desigualdade – fenômeno político, ético, moral e estético inaceitável – e, ao mesmo tempo, de maneira pragmática, dar-se conta de que essa realidade é também ineficiente e ineficaz do ponto de vista econômicoClemente Ganz Lúcio


O NOVO MANDATO

Desafios e expectativas

Na 14a Plenária Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em julho, a presidenta Dilma Rousseff disse que tinha lado e que não tinha sido eleita, em 2010, para tirar direitos dos trabalhadores. É isso que vamos cobrarVagner Freitas


A ESTERILIZAÇÃO DOS RECURSOS DO PAÍS

O sistema financeiro atual trava o desenvolvimento econômico brasileiro

Um debate fundamental pede passagem: a esterilização dos recursos do país por meio do sistema de intermediação financeira, que drena em volumes impressionantes recursos que deveriam servir ao fomento produtivo e ao desenvolvimento econômico. Os números são bastante claros e conhecidos, e basta juntá-los para entenderLadislau Dowbor


CRIMINALIZAÇÃO DA POLÍTICA

O inimigo interno

Na noite de 25 para 26 de outubro, uma granada da polícia matou Rémi Fraisse, um manifestante de 21 anos. O governo francês, no entanto, demorou dois dias a reagir, pois estava infinitamente mais propenso a saudar a memória de um dono de companhia petrolífera morto num acidente de aviãoSerge Halimi


LIGAÇÕES ENTRE O PODER POLÍTICO E OS BARÕES DA DROGA

O naufrágio do Estado mexicano

Tráfico de drogas, assassinatos, extorsão e, cada vez mais, administração pública. A participação de organizações criminosas no Estado mexicano parece não ter limites. O massacre de 43 estudantes em setembro catalisou a cólera da população.Rafael Barajas e Pedro Miguel


CHAVES PARA ENTENDER AYOTZINAPA

Disciplinar por meio de massacres

Neste ano, as cerimônias e altares do Dia dos Mortos não foram destinados a personalidades da arte popular. As canas, laranjas, tejocotes, velas, incensos, caveirinhas de açúcar e flores de cempaxúchitl foram oferecidos aos estudantes desaparecidos que hoje contam a história de um México que se revelaVictoria Darling


DAS DROGAS AO MINÉRIO DE FERRO

Um porto nas mãos de um cartel

O comércio do aço não vem de imediato à mente quando se evocam organizações criminosas. No entanto, a “guerra às drogas” lançada pelo ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012) forçou os cartéis a diversificar suas atividades…Ladan Cher


FUNDAMENTO DA CIDADANIA SOCIAL

Nem assistencialismo nem caridade: solidariedade

O enfraquecimento dos mecanismos de segurança social, como a recente redução das subvenções familiares pelo governo francês, afeta a coesão nacional. Pela dignidade que gera, esse princípio jurídico forma a base do desenvolvimento humanoAlain Supiot


ASCENSÃO DA FILANTROPIA NOS PAÍSES OCIDENTAIS

Quando os cidadãos substituem o Estado de bem-estar

Há trinta anos, os governos ocidentais lançam múltiplos artifícios para reduzir gastos. Um deles é terceirizar serviços sociais, encorajando a caridade privada. Canadá, França e Reino Unido seguem esse caminho, mas é nos EUA que o método está mais avançado. Cada vez mais forte, a direita norte-americana fez disso um dBenoît Bréville


AS RIVALIDADES ENTRE ESTADOS UNIDOS, RÚSSIA E CHINA

Jogos de influência em uma Ásia central desunida

Considerado estratégico, o controle das ex-repúblicas soviéticas da Ásia sustentou a rivalidade entre grandes potências. No entanto, o avanço norte-americano foi passageiro, ao passo que a expansão econômica chinesa não atrapalha mais os interesses russosRégis Genté


RETIRADA DAS TROPAS NORTE-AMERICANAS

O Afeganistão não acredita na paz

A partida de praticamente todas as tropas norte-americanas e da Otan até o dia 31 de dezembro marca o fim de uma intervenção que começou há treze anos, após o 11 de Setembro. No entanto, nenhum dos objetivos proclamados pelos Estados Unidos foi alcançado: nem a democracia nem a estabilidade. E o Talibã ameaçaCamelia Entekhabifard


BATALHAS NO DONBASS

A Ucrânia mais dividida do que nunca

De cada lado da linha de cessar-fogo, o aumento das tropas gera dúvidas sobre uma retomada dos combates no Donbass. A vitória dos partidos ucranistas no oeste e a incapacidade da “comunidade internacional” em buscar um compromisso incentivam cada campo a apostar na força. Separadas de Kiev há seis meses, as regiões conLaurent Geslin|Sébastien Guex


A ESQUERDA RADICAL SEDUZIDA PELA LEGALIZAÇÃO

A prostituição é emancipatória?

O Senado francês suprimiu, em julho, a medida central de um projeto de lei destinado a “reforçar a luta contra o sistema de prostituição”: a punição dos clientes. Os debates revelam a prevalência da nova forma de considerar a prostituição: um desafio de lutas sindicais, por liberdade, antes de ser uma questão feministaMona Cholllet


A ESPETACULAR FALÊNCIA DO QUINTO MAIOR BANCO DO PAÍS

A bolha de crédito da África do Sul

Maior potência econômica do continente negro, a África do Sul é um gigante com pés de barro. Em agosto, a falência do quinto maior banco do país revelou a hipertrofia do crédito voltado ao consumo. Em busca de um conforto acima de suas rendas, a nova classe média arrastou para uma perigosa espiral especulativaAlain Vicky


GESTÃO DA ÁGUA

A “seca planejada” do Rio Paraíba do Sul

O Rio Paraíba do Sul apresenta as menores cotas e níveis de vazão desde que o monitoramento fluvial teve início, há noventa anos. Não estamos, porém, diante do período mais seco, sendo o atual apenas o 13o ano menos chuvoso, superado, e muito, pelas estiagens de 1934, 1941, 1954 e 1964.Emiliano Castro de Oliveira


A ASCENSÃO DO CONSERVADORISMO

Guerras culturais no Brasil

Há apenas dez anos, comentaristas conservadores como Olavo de Carvalho ainda eram figuras folclóricas no jornalismo brasileiro. Nos últimos anos, porém, os meios de comunicação de massa incorporaram tantos conservadores que eles passaram a dar o tom geral do jornalismo de opinião.Pablo Ortellado