Abril 2015

Edição 93

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CRISE E OPORTUNIDADE

Reforma política: democracia ou plutocracia?

Deve-se notar quão diferentes são os projetos: o de Eduardo Cunha, assentado no binômio “financiamento privado” e “voto facultativo”, em contraste com o da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, cuja lógica é o financiamento público e o empoderamento dos partidos políticos e do cidadão comumFrancisco Fonseca


“O SISTEMA É F*, PARCEIRO”

Corrupção e a “bopização” brasileira

Ao contrário do que sugere o clima atual, não há oposição alguma entre o fenômeno da corrupção e a tara policialesca generalizada. Em retrospectiva, seria possível discernir certa tendência que remonta ao Congresso eleito no ano passado, às jornadas de 2013 e mesmo à recepção de Tropa de elite (2007/2010)?Fábio Salem Daie


É PRECISO RESOLVER OS CONFLITOS DO ORIENTE MÉDIO, NÃO AGRAVÁ-LOS

Para acabar com o terrorismo

Os atentados em Túnis e Sanaa lembram que os países muçulmanos são os mais atingidos por ações contra civis. A luta contra o “terrorismo” permite mobilizar a opinião pública, criar coalizões militares e aprovar leis que restringem as liberdades. Mas isso torna possível enfrentar a realidade política do Oriente Médio?Alain Gresh


MENOS ORGANIZAÇÃO, MAIS DESIGUALDADE

Elogio aos sindicatos

Num estudo publicado em março, dois economistas oriundos desse templo do liberalismo destacam “a existência de uma ligação entre a baixa taxa de sindicalização e o aumento de parte dos rendimentos mais elevados nos países avançados durante o período 1980-2010”Serge Halimi


DA ÁSIA AO CARIBE, A CORRIDA PELAS RESERVAS EM ÁGUAS PROFUNDAS

A guerra pelo petróleo se joga no mar

As descobertas de novas reservas em águas profundas (mais 400 m) proliferam e se igualam ao total de reservas terrestres descobertas entre 2005 e 2009 fora da América do Norte. Dado ainda mais importante: as reservas descobertas em águas ultraprofundas (mais de 1.5 KM) são quase 50% das jazidas descobertas em 2010Michael T. Klare


TEORIAS PARA EXPLICAR A QUEDA NOS PREÇOS

Petróleo e paranoia

A espetacular queda do preço do petróleo desde junho de 2014 tem empolgado os amantes de teorias maiúsculas. Os dados do problema? O preço do barril, que desde 2011 girava em torno de US$ 110, caiu em março de 2015 para um patamar entre US$ 50 e US$ 60Pierre Rimbert


A “NEUTRALIDADE” DOS CREDORES

Em Atenas, a mídia de joelhos

Raramente os interesses do dinheiro e da imprensa se encontram em uma simbiose tão próxima quanto na Grécia. Será que a “retomada democrática” anunciada pelo Syriza após a vitória nas eleições em janeiro poderá também libertar a informação?Valia Kaimaki


VIAGEM AO INTERIOR DE UMA MULTINACIONAL PATERNALISTA

Tata, uma lenda indiana

Jyotsna Saksena


JUVENTUDES REBELDES DA ÁFRICA – NIGÉRIA

O fim da “geração silenciosa”

Em 2012, a repressão policial sobre os protestos contra o preço da gasolina na Nigéria tinha causado a morte de quinze pessoas, entre elas Mustapha Muyideen, de 23 anos, transformado no símbolo de uma juventude maltratada. Seja o que for que venha a acontecer no futuro, a “geração silenciosa” não mais irá se calarAlain Vicky


JUVENTUDES REBELDES DA ÁFRICA – SENEGAL

Quando os jovens dão uma aula

Três anos depois de ter contribuído consideravelmente para a derrota do presidente Abdoulaye Wade nas eleições presidenciais de 2012, o movimento Y en a Marre (Yeam) [algo como “Já deu” ou “De saco cheio”] procura escrever seu futuro fora das lógicas partidárias e mais perto da realidade concretaJacques Denis


JUVENTUDES REBELDES DA ÁFRICA – BURKINA FASO

Uma vassourada de cidadania

Não violenta, e organizada por jovens, a associação Le Balai Citoyen [A vassoura cidadã] incita os habitantes de Burkina Faso a se engajarem. Em outubro de 2014, o coletivo desempenhou um papel decisivo nas manifestações que culminaram na deposição do presidente Blaise CompaoréDavid Commeillas


A UCRÂNIA EM BUSCA DA SOBERANIA ENERGÉTICA

Na frente de batalha do urânio

Privada de carvão pelos combates no Donbass e em conflito com a Gazprom, a Ucrânia aposta cada vez mais na energia nuclear para atender às suas necessidades. Mas o fornecimento de combustível das centrais atômicas herdadas da União Soviética também depende de boas relações com a Rússia.Sébastien Gobert e Laurent Geslin


NOS EUA, UMA FONTE DE ENERGIA QUE DESTRÓI A NATUREZA, MAS GERA EMPREGOS

Os Apalaches decapitados pelos mercadores do carvão

Apesar do boom do petróleo e do gás de xisto, o carvão continua sendo a principal fonte de energia nos Estados Unidos. Para aumentar a produção, as mineradoras têm preferido a exploração a céu aberto, removendo as montanhas para extrair o minério. Esse método, muito utilizado nos Apalaches, tem consequências ambientaisMaxime Robin


COREIA DO NORTE

Rússia ao resgate

Para sua primeira visita ao exterior, a ser realizada no dia 9 de maio, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, escolheu Moscou – não Pequim. Ainda frágil, a aproximação russo-norte-coreana poderia afetar os equilíbrios regionais


“A ÁGUA FOI EMBORA E A DIGNIDADE TAMBÉM”

São Paulo a seco

“Você sabe o que eles pretendem fazer? A Sabesp tem um plano B para o futuro?”, indaga. Todos olham para a debatedora, que responde desolada: “Não, eu tenho as mesmas informações que vocês e não faço a menor ideia se há um plano B, C ou D. Por outro lado, sei que o pior ainda está por vir”Anne Vigna


PREPARAR O FUTURO DOS DETENTOS

Prisão fora dos muros, uma solução esquecida

Na França, há quinze anos o cumprimento externo da pena permite que condenados em final de sentença vivam e trabalhem fora da prisão. Sem suspender a condição de detento, ele prepara o regresso à liberdade.Sarah Perrussel e Leah Ducré


QUESTIONAMENTOS SOBRE A PRIMAZIA DO DEPOIMENTO POLICIAL NA JUSTIÇA CRIMINAL

A força da palavra repressiva

Segundo o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, 74% das prisões por tráfico de drogas em São Paulo contaram apenas com o testemunho dos policiais que realizaram a apreensão do acusado, e, em 76% de todos os inquéritos policiais da cidade, os agentes que participaram da prisão foram ouvidos como testemunhasAnderson Lobo da Fonseca


RESISTÊNCIA AO AVANÇO DO INGLÊS

O custo do monolinguismo

Se as vantagens econômicas globais do monolinguismo são negadas pelos números, seu interesse para os britânicos ou irlandeses é incontestável. O falante nativo desfruta uma posição privilegiada em campos como a tradução, a interpretação, a edição, a educação e a produção de ferramentas educativasDominique Hoppe


O TURISMO DE MASSA INVADE OS LOCAIS DE MEMÓRIA

De bermuda nas trincheiras

Desde o final dos anos 1990, as construções em homenagem aos mortos explodiram: museus, memoriais, pontos históricos etc. A Unesco se vê chamada para reforçar a obra ao dar seu selo, comprovação de um respiro turístico. Essa moda, porém, preocupa alguns historiadores e levanta uma série de questões delicadasGeneviève Clastres


EDITORIAL

Uma falsa polarização

Silvio Caccia Bava