Agosto 2015

Edição 97

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EDITORIAL

Polarização

Silvio Caccia Bava


UM NOVO MAL-ESTAR

Ressentimento de classe

A segregação que antes se fazia a distância e sem afetação direta, conforme a assepsia impessoal que vigora na violência silenciosa dos condomínios, agora perdeu a vergonha e proclama abertamente seu mal-estar contra essa proximidade indesejável dos pobres.Christian Ingo Lenz Dunker


POLARIZAÇÃO

A pior crise política é a que nos condena ao governo pelo crime

Por que será que, depois de todas as lutas por direitos, os cidadãos hoje apoiam leis que os restringem? Na base desse fenômeno está a implosão da ideia de que a lei se aplica a todos. Aqueles que defendem a redução da idade penal não desejam tratamento penal para seus filhosMarta Rodriguez de Assis Machado


UNIÃO DAS FORÇAS DE ESQUERDA

Uma frente para disputar as ruas

As relações desfavoráveis devem ser enfrentadas, e não servir de argumento para mais recuos. Não foi essa a escolha do governo Dilma. Mas precisa ser a dos movimentos sociais e da esquerda brasileira, se não quisermos ser levados pelo governo ao abismoGuilherme Boulos


O QUE REVELAM OS ACONTECIMENTOS NA GRÉCIA

A Europa que não queremos mais

A crise grega mostra o funcionamento da União Europeia, como testemunha em artigo o ex-ministro das Finanças da Grécia Yanis Varoufakis (págs. 14 e 15). Ela atualizou a distância entre o mundo real e as ambições formuladas pelos pais fundadores da comunidade: democracia, solidariedade e prosperidade.Serge Halimi


O QUE REVELAM OS ACONTECIMENTOS NA GRÉCIA

“O sistema absorveu o vírus”

Diante da ameaça do Syriza, em um primeiro momento, os dirigentes europeus se fecharam em um único objetivo: chutar os recém-chegados para fora de seu círculoRenaud Lambert


ADEUS, DEMOCRACIA...

O diktado da Alemanha

Só em filmes de terror vemos cenas tão sádicas como as de 13 de julho em Bruxelas, quando Alex Tsipras, ferido, derrotado, humilhado, foi obrigado a acatar em público, cabisbaixo, o diktado da chanceler alemã, Angela Merkel. E renunciar ao programa de liberação graças ao qual fora eleito e o qual seu povo acabara de raIgnacio Ramonet


RELATO DO EX-MINISTRO DAS FINANÇAS GREGO

“O objetivo era nos humilhar”

Por seis meses, contra todos, a Grécia foi pregada ao pelourinho por seus parceiros em reuniões intermináveis. A União Europeia revelou na ocasião uma face intransigente, vingativa. Ministro grego das Finanças durante os enfrentamentos entre Bruxelas, Berlim e Atenas, Varoufakis retoma diversos episódios da gue viveuYanis Varoufakis


DESENVOLVIMENTO URBANO PROJETADO PARA O CAPITAL INTERNACIONAL

Um Panamá sem panamenhos

Há um ano, empresários se sucederam na presidência do Panamá. Enquanto uma parte da América Latina reivindica sua soberania, contestando o poder do dinheiro, a pequena nação centro-americana especializa-se no comércio de sua submissão. Finanças, especulação e empresas de logística organizam o espaçoAllan Popelard e Paul Vannier


PERFURAÇÃO NOS JARDINS DO TEXAS

Minha casa, meu carro, meu poço de petróleo

A queda do preço do barril, de quase 50% em um ano, não afeta apenas as transnacionais e os países produtores. Nos Estados Unidos, ela atinge milhões de pessoas que possuem poços de petróleo em seus terrenos e os alugam a companhias privadas, as quais aproveitam o período de vacas magras para lucrar com contratosChristelle Gérand


A VIOLÊNCIA EXTREMA NO MÉXICO

“Dois homens armados se aproximaram…”

Protestos realçaram a visita do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, à França em julho. Tortura, massacres, desaparecimentos: diversas organizações denunciaram a responsabilidade do Estado em atos cotidianos para os mexicanos.Sergio González Rodríguez


COREIA DO NORTE

Uma viagem vigiada

Conseguir o visto de jornalista para a República Popular Democrática da Coreia levou dois anos. Essa concessão, porém, não quer dizer liberdade de movimento nem escolha do programa, muito menos conversas espontâneas na rua. Com poucas exceções, as autoridades decidem o que você deve ver. Mas não conseguem esconder tudoMartine Bulard


TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, ISLAMISMO...

A religião pode servir ao progresso social?

Enquanto o ateísmo era atacado por religiosos, e a religião, por laicos, os combates emancipatórios reuniam os que acreditavam e os que não acreditavam no céu, especialmente na América Latina, graças à teologia da libertação. Esse tipo de aliança parece inconcebível para os partidários ultraortodoxos do islã. Por quê?Gilbert Achcar


MULHERES ÁRABES: UMA EMANCIPAÇÃO ABORTADA

A armadilha das imagens ocidentais que representam as mulheres árabes

Criaturas frágeis e oprimidas que desaparecem sob o xador ou a burca. Essa é a eterna representação das mulheres árabes proposta pela mídia ocidental, misturando despreocupadamente contextos e nacionalidades. Tais mulheres estariam, portanto, fora do seu tempo?Sahar Khalifeh


PEQUIM PROMOVE SUA MOEDA NOS MERCADOS MUNDIAIS

Logo, logo o yuan estará nos bolsos do mundo todo?

A China satisfaz a primeira condição há muito tempo: ela é inegavelmente a maior potência comercial do mundo. Quanto à segunda, os Estados Unidos acusam-na de não querer deixar sua moeda flutuar livremente e de manter o controle do câmbiDing Yfan


AS CONSEQUÊNCIAS INESPERADAS DE UMA SECA

As origens climáticas dos conflitos

Impossibilitados de negar os efeitos da atividade humana sobre o clima, os líderes mundiais vão se encontrar no fim do ano em Paris para a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP21). Mas eles levarão em conta toda a extensão do problema? E se uma safra ruim na China tiver atiçado a Primavera Árabe?Agnès Sinaï


O SONHO GERENCIAL NÃO ENCONTRA RESISTÊNCIA

Síndrome de Estocolmo entre trabalhadores da Disney de Paris

As revelações do LuxLeaks sobre elisão fiscal e contas secretas em Luxemburgo deram projeção às práticas de sonegação de imposto da Disney. Constrangedoras, as informações são ocultadas no parque de diversões de Marne-la-Vallée, onde prospera a visão de uma empresa consensual, reunida em torno de valores comuns.Pierre Souchon


DESPOLITIZAÇÃO DOS CONFLITOS

O lugar e as possibilidades da política: da ditadura à “governança” neoliberal

Verificam-se mudanças nos próprios sentidos e conteúdos da palavra política. Ela foi deixando de designar o domínio da ação do poder legítimo de organizar a vida coletiva e passou a ser associada à função de gerir as condições para o exercício de um poder que lhe é superior, o poder financeiro – como vimos na GréciaHenri Acselrad


MUTAÇÕES

Um novo espírito utópico?

Depois de descrever as grandes transformações da modernidade, Valéry conclui que “dois perigos não cessam de ameaçar o mundo: a ordem e a desordem”Adauto Novaes