Dossiê 7


As revoluções estão de volta. Elas ocorrem quando menos se espera e muitas vezes surpreendem por seus protagonistas se constituírem como novos atores políticos. São processos que começam em razão de alguma violência, arbitrariedade ou discriminação, uma faísca num contexto de opressão, e não se sabe como terminam ou de que propostas de transformações são portadoras.



Só podemos compreender seus significados e potencialidades se construirmos para isso uma abordagem histórica. Por exemplo, uma história da opressão e da exploração, seja dos trabalhadores nas fábricas, que dá origem ao sindicalismo estadunidense; ou das mulheres, que dá origem ao movimento feminista; ou ainda dos homossexuais ou dos grupos indígenas, que defendem seus direitos.



Em uma revolução, o que está em causa é o poder. Destituir o poder opressor e criar novas formas de governar no interesse dos grupos que assumem o poder. Muitas vezes, quando a revolução ocorre, as aparentes identidades dos grupos oprimidos se desfazem e abrem campo para disputas, muitas vezes cruéis, entre os grupos que buscam a instituição da nova ordem. As contradições internas às revoluções são também algo importante de ser compreendido.



As lutas contra o jugo colonial, pela emancipação nacional, também fazem parte do repertório das revoluções. Essas lutas vão desde as lutas pela independência na América Latina e na África, por exemplo, contra as potencias europeias que as colonizavam; até as lutas anti-imperialistas do século XX e que adentram hoje o século XXI.



Mais recentemente, a Primavera Árabe nos traz surpresas. Povos que viveram por décadas a opressão de regimes autoritários, a partir das mobilizações bem sucedidas da Tunísia e do Egito, resolveram se sublevar e estão transformando radicalmente o cenário geopolítico do Oriente Médio e do Norte da África.



No mundo de hoje, globalizado, as experiências em qualquer país podem se transformar em referências para o mundo inteiro. E o sucesso das mobilizações que derrubaram os governos autoritários da Tunísia e do Egito mostrou o caminho da insurgência para muitos outros povos. Talvez tenham até estimulado o surgimento do movimento dos indignados, na Europa.



Mas nem sempre as revoluções garantem dias melhores. Muitas delas, ao longo da história, foram apropriadas por grupos de poder, contrariando até mesmo suas próprias bandeiras. Daí a importância da análise e da compreensão dos seus significados, simbólicos e políticos.



Esta edição da revista Dossiê 07 traz para você um pouco da história das revoluções e de como ela é contada, seja por seus protagonistas, seja por historiadores, seja pela literatura, na luta pela liberdade. Este olhar sobre o passado e o presente pode nos ajudar a entender o mundo em que vivemos.



27 de setembro 2011
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