Repressão e confronto em ato contra a PEC 55

Durante a votação no Senado da PEC 55 (PEC da Morte), policiais reprimiram as manifestantes que resistiram as bombas e balas borracha em barricadas.

por: Centro de Mídia Independente - DF
11 de dezembro de 2016


Originalmente publicado em:
https://midiaindependente.org/?q=node%2F167

Dia 29 de novembro de 2016 foi votada no Senado a PEC 55 que prevê um teto nos gastos públicos durante os próximos 20 anos, destinando os cortes na saúde e educação para pagamento da dívida pública às grandes financeiras. Do lado de fora, em Brasília milhares de manifestantes se concentravam em um ato de repúdio. Com palavras de ordem e preparação para ação direta, a intenção era paralisar a votação já que a possibilidade de não aprovação era colocada como quase nula, mesmo com os massivos protestos da sociedade. O clima em geral da manifestação era de desagrado e radicalidade, assim como o princípio era de insatisfação com as instituições representativas do governo e do Estado. O ato começou no Museu Nacional, com cerca de 30 mil pessoas de diversos grupos e locais do Brasil, sem uma liderança ou organização pré-definida.

A manifestação seguiu de forma pacífica pela esplanada em direção ao congresso nacional. Milhares de pessoas concentravam-se no gramado onde a polícia fazia uma barreira entre o ato e o congresso. Havia uma disposição de ocupar o senado sob a reverberação das milhares de vozes que ecoavam contra uma política perversa que irá prejudicar a parcela mais vulnerável da sociedade. Em poucos instantes de concentração, houve um enfrentamento direto com a polícia. A intenção era romper o cerco policial e ao mesmo tempo proteger e garantir o direito de manifestação das investidas violentas e contínuas da polícia.

No momento que um grupo avançou pelo flanco esquerdo a repressão se tornou ainda mais desproporcional. Um carro da grande mídia foi virado pelos manifestantes, que avançavam mesmo sob disparos de spray de pimenta, balas de borracha, bombas de efeito moral e de gás lacrimogênio. Os dirigentes dos carros de som pediam diálogo com a polícia mas acabaram também sendo atacados e assim abandonaram a manifestação quando cercados e detidos pela polícia.

Apesar do pouco efetivo policial, a repressão generalizada foi suficiente para dispersar os manifestantes, que corriam na tentativa de se proteger dos disparos e dos gases e recuavam de volta à esplanada e ao museu nacional na tentativa de respirar. Um grupo mais radical atrasava as investidas e o avanço da polícia sobre os manifestantes com a montagem de barricadas, garantindo assim a resistência do ato. Os grupos de ação direta ocuparam o Ministério da Educação, pasta que, junto com a saúde, sofrerá a maior perda com a PEC. Outros ministérios foram quebrados e pichados e um carro foi incendiado nas proximidades do museu nacional, em um momento de maior tensão.

As pessoas que vieram preparadas para ação direta, coube também socorrer os manifestantes que sofriam com os efeitos dos gases ao longo do ato e se concentravam novamente no museu temendo as investidas duras dos militares. Nas ruas formando uma linha de frente, continuavam mobilizados contra o avanço da polícia, que a essa altura contava com reforços. O momento de chegada da cavalaria foi um dos mais tensos do ato. As cerca de oito barricadas foram sucessivamente derrubadas em meio aos conflitos e investidas violentas dos militares, e mesmo resistindo o ato acabou reprimido pelas forças policiais.

A rodoviária central de Brasília foi esvaziada e cercada pela polícia que provavelmente temia um conflito ainda maior, sobrando então um pequeno espaço entre o museu e a rodoviária. Aproximadamente às 21h a polícia fez uma investida ainda mais violenta para dispersar os últimos manifestantes e assim encerrar o ato. Enquanto a manifestação era violentamente reprimida o senado aprovava a PEC por sessenta e um votos favoráveis


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