1961: O GOLPE DERROTADO. LUZES E SOMBRAS DO MOVIMENTO DA LEGALIDADE - Le Monde Diplomatique

1961: O GOLPE DERROTADO. LUZES E SOMBRAS DO MOVIMENTO DA LEGALIDADE

julho 3, 2012
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A leitura de O golpe derrotado comprova o papel decisivo de certos homens públicos como agentes históricos em defesa da democracia e das possibilidades de se fazer política com compromisso social. Leonel Brizola foi um deles nos treze tensos e memoráveis dias que separaram a renúncia de Jânio Quadros e a posse de João Goulart como presidente, ainda que sob o parlamentarismo, em 1961. Enfrentando corajosamente o golpe de Estado tramado pelos ministros militares para impedir que o vice-presidente assumisse o cargo vago, Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, demonstrou excepcional capacidade de organizar e liderar a resistência popular, afinal vitoriosa com o apoio do III Exército comandado pelo general José Machado Lopes.
Flávio Tavares descreve as peripécias da rebelião que evitou a guerra civil no país não apenas com o toque de Midas próprio dos escritores sensíveis, como também com as qualidades do memorialista que já nos havia dado a obra-prima Memórias do esquecimento (1999), sobre os anos de chumbo pós-1964. Flávio foi testemunha ocular da história, como jornalista credenciado no Palácio Piratini, tendo vivido a urgência das horas ao lado ao governador gaúcho e solidário ao Movimento da Legalidade.
Além da perfeita contextualização dos acontecimentos, ele revela as ações astuciosas de Brizola para reagir ao cerco do Rio do Grande do Sul, desde a utilização do rádio para exortar a população a resistir até a emissão de dinheiro pelo governo estadual, passando pela formação de comitês de mobilização da cidadania em Porto Alegre e pela obtenção de combustível junto ao governo do Uruguai.
Numa narrativa de tirar o fôlego nos momentos de clímax, Flávio Tavares oferece definitiva contribuição ao entendimento da crise de 1961 e nos permite avaliar como a frustrada tentativa dos chefes militares de rasgar a Constituição foi, na verdade, o ovo da serpente que viria à luz, dois anos e meio depois, com a brutalidade do golpe de Estado de 31 de março de 1964.



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