A revolução iraniana - Le Monde Diplomatique

A revolução iraniana

Janeiro 4, 2009
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 A Revolução Iraniana, que sai agora pela coleção “Revoluções do Século XX”, da editora Unesp, traz uma descrição histórica que tem entre suas qualidades levar em conta o papel que a classe trabalhadora e as camadas mais pobres exerceram no processo revolucionário do Irã em 1979.
Ao fazê-lo, coloca o movimento que devastou a ordem política vigente, comandada então pela monarquia autoritária do xá Reza Pahlevi, dentro das contradições de sua própria sociedade,e o insere também numa conjuntura global mais ampla. Cinco meses depois que 5 milhões de iranianos receberam, em Teerã, o Aiatolá Rulollah Khomeini na sua volta do exílio, nicaragüenses derrubaram o governo de Somoza e viram a subida dos sandinistas ao poder.
No início do século XX, o Irã foi fortemente influenciado pela agitação social-democrata russa, inclusive bolchevique. Sattar Khan, um dos dirigentes da rebelião de Tabriz, um dos levantes que marcou a história recente do país, foi “acusado” de ser um dos marinheiros do Encouraçado Potekim. Alguns até mesmo seguiam a palavra de ordem kargaran-e-Jahan Mottahad Shaweed (“Proletários do mundo, uni-vos”). Décadas depois, a classe trabalhadora do petróleo seria decisiva no processo que colocou Khomeini no poder.
As autoridades religiosas também se envolveram bastante no jogo político, principalmente depois que o Irã teve que se equilibrar na balança de interesses dos imperialismos britânico, russo (e depois soviético) e americano.
O xá, na tentativa de fazer do país uma potência que atendia apenas as classes mais abastadas, procurou varrer do cenário camponeses, trabalhadores e a influência de autoridades religiosas. No final, foi varrido por todos.
A chave do livro é mostrar a revolução fora do palco exótico no qual uma visão distorcida a coloca e que deixa subentendido que seu processo só pode ser apreendido dentro de mesquitas ou madrassas. Ao contrário, a revolução iraniana deve ser vista na arena das contradições de classe e das interpretações históricas, da formação dos nacionalismos e das esquerdas no momento das descolonizações. O livro de Osvaldo Coggiola é uma contribuição importante não só para a história, mas para a análise do quadro atual da geopolítica internacional. 



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