CAMINHOS DA CONQUISTA: A FORMAÇÃO DO ESPAÇO BRASILEIRO - Le Monde Diplomatique

CAMINHOS DA CONQUISTA: A FORMAÇÃO DO ESPAÇO BRASILEIRO

junho 4, 2008
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A história é uma representação da experiência passada, mas sempre como resultado de um movimento prospectivo. Como dizia o grande historiador francês Georges Duby, sem imaginação, não há História. Contudo, ponderou Eric Hobsbawn, a história “não inventa, mas apenas põe em ordem objects trouvés”. É o que faz o arquiteto Vallando Keating, em parceria com Ricardo Maranhão. Reunindo as narrativas da conquista do que será o território brasileiro, oferece um conjunto significativo de desenhos e fotografias que procuram retratar e ilustrar espaços e situações conhecidas dos 300 anos de história da colonização, com evidente paixão por nosso passado.
    Vallandro é conhecido por diversos trabalhos, entre os quais se destacam-se A bordo do Rui Barbosa, em parceria com Chico Buarque, e É gol, com Ignácio Loyola Brandão. Atentos ao uso do desenho como suporte do pensamento, os autores produziram um livro em que “novos ângulos de visão para antigos mapas e representações estimulam a reflexão e a crítica das posturas intelectuais engessadas que a historiografia tradicional estabeleceu”, segundo eles mesmos.  Deve-se notar, contudo, que a narrativa apresentada não se esquiva do conhecimento já assente – se é isso que os autores entendem por “tradicional”. Nenhum problema. O livro, concebido como uma obra para leitura aprazível, oferece um texto informativo e bem conexo. As fotografias são de paisagens e monumentos, tal como se apresentam aos homens do século XXI. Os desenhos retratam mapas e situações imaginadas do passado. Como esquemas e diagramas, esses mapas nos ajudam a entender o teatro da conquista do litoral, os quilombos, a expansão bandeirante, a descoberta do ouro e o processo de ocupação do sertão do Brasil. As situações representadas fazem ver momentos passageiros de um cotidiano reconstruído principalmente a partir de imagens consolidadas nos estudos dos viajantes. São cenas de trabalho, de engenhos moendo, bandeirantes caminhando no sertão, Anchieta lendo aos índios à sombra de uma árvore… Verá o leitor que nos fica uma impressão de serenidade. Intensamente poética, concordo, mas talvez um pouco distante da real violência da colonização.



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