Isolados no Brasil - Polítia de Estado: da tutela para a política de direitos, uma questão resolvida? - Le Monde Diplomatique

Isolados no Brasil – Polítia de Estado: da tutela para a política de direitos, uma questão resolvida?

julho 1, 2011
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Os índios descobriram pouco sentido para a humanidade com os colonizadores estrangeiros, em mais de cinco séculos de confronto. Predominaram doenças, extermínio, comunidades degradadas, línguas e universos desaparecidos. Mesmo quando os seus mais fiéis aliados iniciam o contato – como os irmãos Villas Boas, Apoena Meirelles, Porfírio Carvalho e outras grandes figuras – o mundo mercantil, o trabalho explorado e a invasão de terras trituram a vida indígena. Como deveria o Estado comportar-se para assegurar a existência dos índios isolados, ainda numerosos no país?

Físico e educador, sertanista com vasta experiência da defesa de índios desconhecidos da floresta, Antenor Vaz compõe em uma concisa publicação um panorama dos princípios da política indigenista para esses povos desde 1987. A partir de então, o Brasil é um modelo singular, ao propor que o contato com os isolados seja evitado e a ação do governo concentre-se em demarcar suas terras, impedir invasões e a entrada de estranhos responsáveis por doenças e devastação ambiental. Há no país 23 povos isolados, 7 recém-contatados e referências a outros 47 ainda escondidos. Antenor descreve as atribuições das doze Frentes de Proteção Etnoambiental com que conta a Funai, encarregadas de apoiar tanto os isolados como os recém-contatados. Se nem sempre as novas diretrizes são seguidas com sucesso, por força das pressões de grandes interesses econômicos, elas representam um marco no respeito aos direitos dos povos. Tornaram-se famosos os esforços de grandes indigenistas como José Carlos Meirelles de preservar os povos do Vale do Javari, entrevistos apenas dos aviões. Ou o feito de manter vivos os poucos remanescentes dos massacres do Corumbiara – objeto de um documentário magistral de Vincent Carelli. A política indigenista atual condena a velha meta de assimilação inexorável dos povos à sociedade majoritária. Procura, com grandes obstáculos, dar-lhes a escolha de como e quando participar da cidadania do país.



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