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O que fazer do “brasil”?

Há trinta anos, Roberto DaMatta publicou um ensaio de grande repercussão: O que faz do brasil, Brasil?1 Discutia a identidade brasileira e nossa capacidade de negociar, relativizar e sintetizar, que lhe permitia acreditar na possibilidade de inventarmos um futuro comum, mesmo convivendo com desigualdades de todo tipo e articulando hierarquias com a cordialidade que seria …

O conservadorismo moral como reinvenção da marca MBL

– O MBL (Movimento Brasil Livre), organização com membros investigados por diferentes crimes e financiado por partidos como o PMDB e grupos de interesse econômico dos EUA, surgiu inspirado nas formas de mobilização da juventude, como as vistas em 2013, especialmente na força das redes sociais. Isso pode ter acontecido na escolha de um nome …

Estratégias da violência se fundam no genocídio de negros, pobres e mulheres

Muito se ouve, se fala e se sente acerca da violência. O ódio se encontra disseminado entre as pessoas dissonantes, como se não fosse possível habitar o mesmo espaço do outro que pensa e age diferente. A violência institucional do Estado prolifera, seja na omissão de um sistema prisional, que produziu mortes em massa no …

Os governos e as ruas

Na Avenida Paulista, em 15 de março, os músicos tocaram o trecho “Fortuna”, de Carmina Burana, e um coro de milhares de vozes entoou “Fo-ra, Te-mer, Fo-ra, Te-mer”, na mesma cadência. O governo pós-impeachment começou sob protestos como esse, que prolongaram campanhas anteriores. Tanto o “Fora, Dilma” como o “Não vai ter golpe” decorreram dos …

13 pontos para embasar qualquer análise de conjuntura

1 – O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais. 2 – Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder. 3 – O verdadeiro exercício do poder é …

O golpismo de ontem e o golpismo de hoje

Durante todo o ano de 2015, o segundo mandato da presidenta Dilma foi marcado por intenso ataque, seja da mídia, seja do Congresso Nacional, e de suas chamadas “pautas bomba”. A presidenta eleita foi posta na defensiva e ameaçada por diversos pedidos de impeachment, além de ter sido pressionada para renunciar desde o início de …

As ruínas da intolerância

“Tempo que não se toma, não se detém pra ninguém” James Joyce1     Desde pelo menos o século XVII, com as obras do dramaturgo inglês William Shakespeare, e, depois, o final do século XIX, com as do escritor russo Fiodor Dostoievski e do pensador alemão Sigmund Freud, já se sabe que a natureza humana …