REVOLUÇÃO PRAIEIRA
Izabel Andrade Marson traz a público um livro enxuto que pretende levar a um número mais amplo de leitores as discussões políticas relacionadas aos antecedentes, à eclosão e à repressão da Revolução Praieira. Os praieiros opunham-se tanto ao partido conservador como ao liberal (cuja união, em nível nacional, deixava de fora do jogo político pernambucano um grupo significativo de senhores de engenho, fazendeiros de algodão, entre outros).
A autora busca entender uma das grandes questões da historiografia do Império: o por quê de os praieiros não terem apoiado os liberais mineiros e paulistas que pegaram em armas em 1842. Originalmente, os correligionários do Partido Nacional visavam alterar os rumos da política dentro da norma legal, sendo críticos de qualquer mudança que fosse feita por meio da força.
A mudança na estratégia política dos praieiros, finalmente tomando armas em 1848, é explicada a partir das transformações conjunturais da política nacional e provincial nos anos antecedentes. Neste aspecto, o livro esclarece a tensa relação dos praieiros com a população mais pobre de Recife e arredores, desmontando uma das clássicas interpretações que pregava a ideia de um “sentido social da Revolução Praieira”.
No que tange à participação popular, Marson põe em questão o próprio envolvimento de Borges da Fonseca, que não só possuía grande liderança entre a população de Recife, como também, em seus impressos, propunha a instauração de um regime republicano. No “Manifesto ao mundo” (1849), defendia o voto livre e universal, o trabalho como garantia de vida para o cidadão, e outras bandeiras temerárias para as elites do Império (fossem conservadoras, liberais ou praieiras). Não é à toa que os membros do Partido Nacional acusaram o manifesto de apócrifo.
Ainda que o tema das revoltas imperiais seja merecedor de mais pesquisas, vale destacar que nos últimos anos estudos de fôlego foram publicados acerca tanto dos movimentos chefiados por grupos de elite quanto por aqueles que tiverem anônimos na liderança. O livro contribui justamente para a importante discussão acerca dos movimentos armados que movimentaram o Império e que, mesmo depois de 1848, continuaram a perturbar o cenário nacional.


