DANÇA

Cultura de boate

Emblema da sociedade de consumo ou do underground, vetor de emancipação ou epicentro da discriminação: a boate noturna encarna todos os paradoxos. Entre a clandestinidade e a industrialização, ela pôde funcionar como um laboratório para uma arquitetura em busca de liberdade e, assim, contribuir para a evolução dos costumes

Em meados dos anos 1960, na Europa, na América do Norte e no Japão, vários coletivos de vanguarda procuraram romper o estilo tradicional da autoexposição para investir em outros modos de representação e erigi-los em modelos de contracultura. Daí os primeiros nightclubs lembrarem menos círculos de lazer privados e mais imensos centros de arte performativa. Por mais revolucionários que fossem no design, os divertimentifici italianos permaneciam, é claro, atrelados ao boom da sociedade de consumo. Esses estabelecimentos noturnos surgiam por toda a península. Designers, intelectuais, artistas e arquitetos radicais projetavam neles uma transformação total da relação entre o corpo e o espaço. Em um sopro libertário concomitante ao milagre econômico do pós-guerra, propunham libertar a arquitetura das discotecas de qualquer convenção – elas deveriam então ser móveis e efêmeras, como o fluxo simultâneo de som e luzes. A discoteca Lutrario, em Turim, renovada pelo arquiteto Carlo Mollino em 1959-1960 sob…

Leia mais sobre o tema: