NEOLIBERALISMO

E do identitarismo branco, ninguém fala?

Ter a crítica do identitarismo progressista como pressuposto da crítica é fundamental, mas e o outro identitarismo: aquele que se arroga universal, incolor e genérico?

Já ficou para trás a ideia de que o identitarismo não é um sintoma de nossa época. Também avançamos na crítica à tentativa de transformar a identidade em algo dotado de essência e substância. Assim, por mais reticentes que alguns “ativistas” sejam em relação à crítica do identitarismo, parece que há uma percepção generalizada de que ou pensamos no comum, ou nos tornaremos reféns da lógica da concorrência. O identitarismo não é uma simples escolha; é uma imposição de uma gestão nascida dos desdobramentos do capitalismo contemporâneo que coloca a identidade como finalidade da ação política. Sem enxergar isso, a pedra que tacamos no teto de vidro alheio se reverte em um bumerangue, caindo de volta sobre nós. Sigo sustentando que, além de um ato volitivo,1 o identitarismo é um sintoma socialmente orientado; uma manifestação da administração dos conflitos sociais contemporâneos, demarcada por um capitalismo de crise. Ele também não…