O cão do sertão – Literatura e engajamento: ensaio sobre Guimarães Rosa, Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade

Com ensaios sobre Machado de Assis, Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade, O cão do sertão tem por subtítulo uma expressão aparentemente estranha aos escritores em pauta: Literatura e engajamento. Em geral, o termo “engajamento” remete a temáticas ideológico-partidárias (como na trilogia Os subterrâneos da liberdade, de Jorge Amado). Roncari nos faz ver, no entanto, que há naqueles escritores um engajamento que consiste em dar forma aos conteúdos históricos, assimilando as contradições objetivas e os impasses sociais à estrutura da obra.

 O centro nevrálgico do livro é o autor de Grande sertão: veredas. Roncari identifica nele referências ocultas a vultos da política brasileira (Antônio Conselheiro e Getúlio Vargas) e representações da violência patriarcal que atuam como subtexto de suas figurações míticas. Com isso, vai na contramão de leituras alegóricas e ilumina a “dimensão mimética e realista” do escritor mineiro.

 Essa dialética entre forma e história reaparece nos ensaios sobre Machado de Assis (principalmente na interpretação de Memorial de Aires) e, em chave contemporânea, na análise do poema “Elegia 1938”, de Drummond, cuja imagem final de um bombardeio a Manhattan ganhou espantosa atualidade.