Pobreza energética e transição
Embora o Brasil tenha alcançado quase a universalização do acesso à energia elétrica (99,8%), certas regiões e grupos permanecem vulneráveis: 25 milhões vivem em domicílios sem acesso adequado à eletricidade, 13 milhões de residências utilizavam lenha ou carvão vegetal em 2022 e 46% da população gasta metade da renda familiar com eletricidade e gás de cozinha
No mundo moderno, serviços essenciais como cozinhar, aquecer casas em países frios e resfriar ambientes em regiões quentes são fundamentais para a dignidade humana. A esses serviços somam-se mobilidade, iluminação e uso de eletrodomésticos – todos relacionados ao acesso a fontes de energia. Enquanto países ricos enfrentam dificuldades de pagamento pelos serviços energéticos, países pobres lutam com o próprio acesso físico a esses sistemas. As pessoas não consomem a energia em si, e sim os serviços que ela proporciona. A pobreza energética pode ser definida como um nível precário de acesso a esses serviços de energia essenciais que proporcionam padrões básicos de vida e saúde decentes. Uma dimensão dos serviços pouco observada nos estudos da pobreza energética é a inclusão dos custos de transporte na busca do serviço de mobilidade. Várias definições modernas se circunscrevem ao acesso a eletricidade e combustíveis para cozinhar, mas poucas incluem o acesso à mobilidade.…

