América Mimada
Nos países subdesenvolvidos, entre a terra e o inferno, estão alojados alguns milhares de minas terrestres, uma herança de conflitos passados ou presentes, que continuam a deixar marcas na população local e em seu modo de vida.
O preço de uma mina antipessoal é de três dólares, mas seu custo humano compreende civis mortos, mutilados, próteses, gastos hospitalares, vastas áreas de agricultura tornadas improdutivas e mil dólares para remover cada artefato. O uso das minas é uma violação da Convenção de Genebra, que protege os civis de receberem o mesmo tratamento de combatentes.
Associamos a violação de direitos humanos, como é o caso das minas, a países árabes, balcânicos ou africanos. No entanto, esta é uma realidade mais próxima do que imaginamos: a Colômbia é o país em que mais pessoas sofrem acidentes com minas terrestres e munição não detonada; o Peru tem 1.711 áreas de perigo ao redor de torres de energia; também se encaixam neste quadro países como El Salvador, Chile, Nicarágua, Argentina, Venezuela, Bolívia e Guatemala.
Dar visibilidade ao problema é a principal virtude do livro América minada. Ele chama a atenção para uma questão que diz respeito a todos nós, americanos, justamente quando a palavra “integração” está em pauta, provando que nossa mídia provinciana é incapaz de olhar para os problemas daqueles que nos cercam.


