Nelson Mandela – uma lição de vida

Nadine Gordimer afirma, no prefácio, que um de seus personagens dizia ser assombroso viver em um país que ainda tem heróis. Jack Lang, o autor, afirma que seu texto se destina às novas gerações, às quais, quase sempre, se transmite a imagem de uma vida pública degradada. Em outras palavras, é assombroso viver em nossa época, pois Nelson Mandela figura como exemplo quase solitário de um grande estadista, que jamais hesitou em colocar os interesses comuns acima de seu destino pessoal.

No livro de Lang, Mandela é identificado com personagens que marcaram a história da filosofia moral: Antígona, em sua luta por justiça; Espártaco organizando os escravos; Prometeu, acorrentado; Próspero, vitorioso e benfeitor da humanidade.

Jack Lang foi ministro da Cultura de Miterrand e, de certa forma, sempre muito próximo da luta contra o apartheid: organizou atos de solidariedade na França; levou o governo à construção de uma universidade em Soweto; em visita à África do Sul, teve seu carro apedrejado por negros que faziam o jogo do governo e foi vaiado por brancos no aeroporto. Tudo isso fez crescer seu interesse pelo destino do personagem Mandela.

 Sensível à importância da arte, seu livro tenta encontrar, por meio da trajetória de Mandela, a nobreza na política, mas também a dimensão estética desse líder, dimensão subestimada em outros autores. As lições que Mandela nos transmite, por meio de Lang, são as grandes lições dos clássicos gregos.

 Mandela representou Creonte, rei de Tebas, na peça Antígona. O teatro tornava a vida mais suportável na prisão de Rubben Island. “Eu tinha lido alguns clássicos gregos na prisão”, ele diz. “Aprendi com eles que o caráter se mede enfrentando situações difíceis e que o herói é alguém que não se deixa abater, mesmo diante das circunstâncias mais difíceis.”

As lições de Mandela não mostram apenas como era assombroso viver na África do Sul, ou mesmo nos tempos difíceis de hoje. Viajando tão longe, por meio da arte, convida-nos a considerar o assombro da própria condição humana.