A era da indeterminação


“A Era da Indeterminação” é uma coletânea de artigos sobre a crise da democracia brasileira e os impasses de uma sociedade híbrida, sem futuro no horizonte. Fruto de pesquisas acadêmicas realizadas na Universidade de São Paulo, entre 2000 e 2005, os trabalhos expressam as esperanças, as desilusões e as perplexidades da intelectualidade crítica reunida em torno do sociólogo Francisco de Oliveira em relação à possibilidade de uma solução civilizada para os graves problemas do Brasil.
A unidade dos artigos é articulada pelo contraste entre a preocupação que motivou originalmente a reflexão coletiva – encontrar respostas construtivas à barbárie provocada pelo desmanche neoliberal – e a dramática conclusão de Chico de Oliveira sobre a impotência da política institucional como instrumento da mudança social – impotência que se teria cristalizado com a adesão do PT e da CUT, Lula à frente, aos cânones da ordem global.
O livro elabora a tese de que a supressão da política como instância de decisão sobre os rumos do desenvolvimento deixa a sociedade à mercê do capital financeiro. A incapacidade de resgatar o poder criativo da política é associada à debilidade da classe operária; às tendências oportunistas do movimento sindical; ao caráter reacionário e autoritário das políticas sociais; à domesticação dos movimentos populares de resistência; à impossibilidade de representação dos interesses das classes subalternas. Uma angústia perpassa os artigos: a desconfiança, mais ou menos explícita conforme o autor, de que o Brasil não tem solução civilizada em perspectiva.
“A Era da Indeterminação” é um livro instigante sobre o que fazer para quebrar o círculo vicioso do “estado de exceção permanente” que nos condena à barbárie. A impossibilidade incontornável de combinar capitalismo, república e democracia – impossibilidade vivenciada cotidianamente pelos brasileiros – coloca na ordem do dia a urgência de resgatar o debate sobre a necessidade, a possibilidade e os desafios do socialismo. O livro não chega a essa conclusão, mas não parece haver outra possível.