Um reconhecimento incendiário
Pequeno Estado autoproclamado do Chifre da África, a Somalilândia conseguiu ganhar espaço no jogo geopolítico regional. Agora aliada de Israel, único país a reconhecê-la, ela desenvolve uma estratégia de acordos comerciais e de segurança no Golfo Pérsico. Seus próximos desafios: obter o apoio oficial dos Estados Unidos sem abrir a caixa de Pandora das fronteiras africanas
Em 15 de junho de 2026, o “presidente” da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi, conhecido como “Irro”, inaugurou com grande pompa uma “embaixada” em Jerusalém. Israel é, de fato, o primeiro país do mundo a ter reconhecido, em dezembro de 2025, a entidade separatista situada no noroeste da Somália. Durante sua visita de quase uma semana, Irro se reuniu com, entre outros, o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, e apareceu sorridente ao lado do ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, figura da extrema direita supremacista. Sua viagem também o levou à Knesset, antes de uma reunião com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ao fim da qual os dois dirigentes assinaram uma “declaração estratégica de cooperação”, cujo conteúdo não foi divulgado. Embora a Somália ainda considere a Somalilândia parte de seu território soberano, ela não exerce mais nenhum controle sobre a região desde 1991, quando esta proclamou sua independência em um contexto de…

