O DESAFIO E O FARDO DO TEMPO HISTÓRICO
Mais conhecido entre nós como autor da monumental obra Para além do capital (1995), István Mészáros retorna às estantes brasileiras com outro livro destinado a se tornar uma referência indispensável para a crítica social contemporânea. Se em Para além do capital Mészáros ampliou os horizontes do marxismo ao incorporar a ecologia e as questões de gênero como objetos centrais, em O desafio e o fardo do tempo histórico o filósofo húngaro, discípulo de Georg Lukács, ampliou a análise crítica das formas necessárias de temporalidade, reiterando o caráter fundamentalmente aberto da História. Construiu, assim, a mais bem sucedida crítica teórica à ideologia liberal do fim da história – a “decapitação do tempo”, segundo a feliz expressão cunhada pelo autor – jamais tentada.
Nas palavras do autor: “A emancipação humana é plausível apenas com base em uma concepção histórica que rejeita não apenas a idéia do determinismo materialista mecânico, mas também o tipo de desfecho da história filosófico idealista, que encontramos na monumental visão hegeliana do mundo. (…). Em contraste tanto com o determinismo mecanicista quanto com o idealismo especulativo, a defesa socialista de emancipação real não faria sentido algum sem a afirmação do caráter radicalmente ilimitado da história.”
Encontramos em O desafio, além de uma implacável crítica da mundialização do capital – compreendida como uma avalanche de desperdício, destruição, guerra, degradação do trabalho e parasitismo financeiro –, uma enfática defesa do desenvolvimento sustentável fundado em uma economia regulada pela cultura da igualdade substantiva como forma socialista de controle sociometabólico alternativa à dominação do sistema do capital.
Por dialogar com tantas e tão decisivas problemáticas do mundo contemporâneo, este livro merece ser lido, debatido e desenvolvido por todos aqueles que reivindicam um pensamento socialista aberto, atual, crítico e reflexivo.


