Ceuta, uma crise instrumentalizada
Drama humano, crise da acolhida e tensões diplomáticas com Bruxelas e Rabat: o fluxo migratório excepcional para o enclave espanhol no norte da África e seus desdobramentos pareceram enfraquecer o chefe de governo Pedro Sánchez. Criticado por seus aliados, ele se aproxima do fim do mandato sob a pressão da direita e da extrema direita, que continua em ascensão
Apenas Felipe González (1982-1996) ficou mais tempo. Nenhum outro chefe de governo da Espanha democrática permaneceu tanto no poder quanto o socialista Pedro Sánchez. As recomposições do cenário partidário provocadas pela fragmentação do campo eleitoral, pelo surgimento e consolidação do partido de extrema direita Vox, e pelo papel de fiel da balança desempenhado na vida política nacional pelos partidos nacionalistas bascos e catalães dificultam a reconquista do poder pelos conservadores espanhóis. Alberto Feijóo, líder do Partido Popular (PP, direita) e principal opositor, não tem outro recurso senão pedir a cada quatro dias a renúncia de Sánchez ou alardear que ele em breve cairá nas mãos da Justiça. Até agora, em vão.[1] Sánchez demonstrou repetidas vezes capacidade de assumir riscos calculados para sair de situações críticas. Desta vez, porém, o fluxo de candidatos à emigração nas praias de Ceuta parece tê-lo encurralado. Em 31 de julho, durante uma visita ao pequeno…

