História da Imprensa no Brasil

  
    Há historiadores para quem uma boa história só pode ser feita depois de passado certo tempo dos acontecimentos. Esta é, certamente, uma lenda, mas ela parece confirmada pelo livro História da imprensa no Brasil, uma coletânea de ensaios sobre os 200 anos desde o inaugural Correio Braziliense, de 1808. Ela enriquece a já vasta bibliografia sobre nossa imprensa. E tem, ao lado de alguns ensaios brilhantes que exploram aspectos inovadores dessa história, outros mais fracos e mesmo equivocados. Os primeiros descrevem o período histórico que vai até a metade do século XX. Os mais problemáticos aparecem na parte que cobre o período posterior a 1950.
    Nela há três ensaios de leitura muito proveitosa. Um trata da batalha midiática dos anos 1950 entre Chatô, Samuel Wainer e Carlos Lacerda. Os outros dois, da mídia de nosso tempo, os dilemas entre a manipulação e a busca da informação, a luta contra os monopólios da comunicação e a denúncia de seu papel deletério para a democracia, a batalha entre a internet e os jornais e revistas impressos. Uma mídia nova a serviço de uma política velha, como diz um dos subtítulos.
    Dois ensaios merecem reparos. Um deles é o que trata da “imprensa alternativa” da década de 1970 e seu papel fundamental na luta democrática. Após uma apresentação superficial, dá a entender que os jornais Opinião e Movimento se equivalem ao Em Tempo, e que Movimento teria acabado após a saída da equipe que criou o Em Tempo, ignorando o papel deste na redemocratização, até seu fim em 1981.
    Mas o problema maior aparece no ensaio assinado por Thomaz Couto Corrêa, vice-presidente do Conselho Editorial do Grupo Abril. Sob o pretexto de descrever a “era das revistas de consumo”, ele faz uma resumida história daquela empresa monopolista. É quase um texto institucional em que aparece, por exemplo, a informação de que Veja é a quarta maior revista semanal do planeta, com sua tiragem de 1,1 milhão de exemplares. Como se qualidade se traduzisse automaticamente em vendas. Lembremos que a conceituada The Economist só recentemente chegou a seu milhão de tiragem.