CHE – OS ÚLTIMOS DIAS DE UM HERÓI

Este livro não é apenas uma história em quadrinhos. É uma obra histórica no pleno sentido da palavra.
A melhor definição para esta obra, ainda que terrível, é de um militar argentino sobre o autor do seu roteiro, Hector Oesterheld: “Demos um sumiço nele, por ter feito a mais bela história do Che que já foi escrita”. Logo depois de publicada, a obra foi proibida. Os originais e os estoques foram destruídos pelos generais de plantão.
Hector Germán Oesterheld é o grande roteirista argentino de quadrinhos. Seu trabalho é reconhecido na Argentina no mesmo patamar das obras de Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e Ernesto Sábato. Esse gênio e suas quatro filhas (Marina, 18 anos; Beatriz, 19 anos; Diana, 23 anos e Estela, 24 anos) estão, desde 1977, na lista dos “desaparecidos” da ditadura – junto com outros 30 mil argentinos.
Já o desenhista Alberto Breccia e seu filho Enrique, que fizeram toda a arte do livro, sobreviveram para prosseguir lutando com seu trabalho. São exemplos do melhor do desenho de histórias em quadrinhos do ocidente. Tanto que para o desenhista norte-americano Frank Miller, admirado por gerações de leitores de quadrinhos, “a história em quadrinhos é dividida em duas épocas: a que vem antes e a que vem depois de Alberto Breccia.”
O Che Guevara desta obra não é um herói sobrenatural nem veio de outro planeta.  É um ser humano.
Nos traços e sobras desta história, o que vemos é a face de uma vida dedicada à transformação da realidade, contra a injustiça e a opressão, como demostra o que escreveu aos filhos em sua última carta: “Sejam sempre capazes de sentir no seu mais profundo ser qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a qualidade mais linda de um revolucionário”.
Ler Che – Os últimos dias de um herói é ver um exemplo do otimismo revolucionário e um exemplo de vidas dedicadas à construção do homem novo, sem mitos ou fantasias.