HENRI-CARTIER BRESSON: FOTÓGRAFO
Não foram apenas o enquadramento brilhante, o senso de oportunidade e a capacidade de estar no lugar certo e disparar a câmera no momento exato que fizeram de Henri Cartier-Bresson um mestre. O que transformou seu trabalho em algo fora dos padrões foi a invenção de uma forma nova de fazer fotografia, a criação de uma maneira diferente de olhar o mundo. O que João Gilberto fez na música, Cassius Clay no boxe e Pelé no futebol, Henri Cartier-Bresson fez na fotografia. Ele simplesmente reinventou tudo.
Fundador da agência Magnum, Bresson estava na Índia quando Ghandi morreu; na China, testemunhou os últimos seis meses do Kuomintang e os seis primeiros da República Popular da China; foi o primeiro fotógrafo ocidental a registrar os países da Cortina de Ferro mas, mesmo se nunca tivesse saído de Paris, seu trabalho seria igualmente importante.
Cartier-Bresson nunca precisou de grandes acontecimentos para fazer grandes fotos. Talvez seu maior legado tenha sido mostrar a beleza do cotidiano e a importância histórica que isso tem.
O livro foi lançado na Europa em 1979 e recebe agora uma versão brasileira. O que deve ser observado nessa obra é a edição das fotos, divididas em seis capítulos pelo próprio Bresson. Seu recorte pessoal dá pistas claras de como ele lia seu próprio trabalho.
No primeiro capítulo, o fotógrafo é um passante de câmera em punho descobrindo a rua como um estudo para os passos seguintes. Em seguida se entrega ao campo, à natureza, para depois cair na área política.
Nos capítulos finais, como um cronista, Bresson contrapõe imagens. Passeia por retratos e paisagens, mistura situações que causam sensações opostas aos leitores, mas que, de alguma forma, mostram a unidade de seu pensamento fotográfico.
Quanto mais o mundo muda, mais importantes ficam os registros de um tempo que já não existe. O trabalho de Henri Cartier-Bresson fica melhor a cada novo ano, e como um bom vinho, continuará sendo sempre assim.


