A CONDIÇÃO HUMANA
Desde a década de 1980, Adauto Novaes promove ciclos de palestras que buscam refletir sobre os mais variados campos do pensamento. Em razão de todos esses debates terem se transformado em livros, já dispomos hoje de uma coleção de mais de 20 títulos publicados e altamente qualificados pela crítica. Este A condição humana é o segundo livro da série sobre Mutações, tema do mais recente ciclo. O primeiro volume foi Novas configurações do mundo, publicado em 2008.
Para dar conta dessa atualíssima e provocante discussão entre o humanismo em declínio e um transumanismo que ainda não se mostrou por inteiro, foram convidados 18 intelectuais que produziram ensaios com as mais variadas proposições, tais como “A invenção do pós-humano”, por Franklin Leopoldo da Silva; “O transumanismo e a obsolescência do homem”, por Jean-Pierre Dupuy e “Ondulações paranoides de uma época”, por Pascal Dibie.
A preocupação fundamental da obra, portanto, gira em torno das transformações radicais que vêm sendo operadas no corpo e na subjetividade humanas em tempos de vertiginosa revolução tecno-científica. A partir do discurso desse obscuro e medíocre personagem conhecido como ‘o especialista técnico’, falamos hoje, entre outras coisas e sem maiores cuidados, da emergência de novos seres criados em laboratório, ou seja, da construção de inteligências artificiais ao lado da convergência das nanotecnologias, das técnicas da informação e das ciências cognitivas.
O corpo e a subjetividade submetidos a múltiplos tipos de experimentação científica são lançados, desse modo, por estranhos caminhos na direção do que já se convencionou chamar de uma incontornável realidade pós-humana. Assim, como assinala Heidegger, se a técnica adquiriu, na sua essência, tamanha autonomia e tal ordem de poder, talvez a saída, acaso ainda exista, só poderia vir na forma de outro começo que transportasse em si possibilidades de algum controle desses caóticos fluxos que cada vez mais se projetam rumo a um universo profusamente mecanizado, exigindo de nós a formulação de uma nova racionalidade.


