MATISSE: IMAGINAÇÃO, EROTISMO E VISÃO DECORATIVA
Em 1949, o crítico da vanguarda norte-americana Clement Greenberg escreveu pela primeira vez sobre uma exposição do pintor francês Henry Matisse (1869-1954). “É uma agradável surpresa constatar que um homem de 80 anos ainda possa apresentar uma arte tão vigorosa e grandiosa. (…) Os antigos mestres ainda oferecem algumas surpresas maravilhosas a esse americano que não teve muitas oportunidades para visitar os museus europeus, mas nenhuma foi superior à proporcionada por esse primeiro contato, em Nova York, com a obra mais recente de Matisse.”
Hoje, 60 anos depois, o artista que deu sentido à obra de arte moderna continua a causar impacto com sua produção, não só entre os visitantes de suas exposições como de todo o circuito artístico. Mesmo morto há 55 anos, Matisse é um dos artistas sobre os quais mais se escreveu até hoje. Uma das mais recentes contribuições para essa volumosa bibliografia é Matisse: imaginação, erotismo e visão decorativa (Cosac Naify, 262 páginas, R$ 79), organizado pela crítica paulistana Sonia Salzstein. A publicação reúne ensaios dos artistas Iole de Freitas e Paulo Pasta, dos críticos brasileiros Sonia Salzstein e Ronaldo Brito, além dos críticos estrangeiros Robert Kudielka, T. J. Clark e Yves-Alain Bois, ao lado de textos clássicos sobre o pintor, escritos entre as décadas de 1930 e 1950, quando Matisse já havia se consolidado publicamente. Alguns desses ensaios são publicados pela primeira vez em edição brasileira, enquanto outros foram produzidos especialmente para a coletânea.
Ao longo de mais de 260 páginas, o livro é uma tentativa bem-sucedida de atualização da discussão sobre a obra de um dos artistas mais influentes da história da arte, e uma das figuras centrais da cultura francesa de todos os tempos. O volume inclui um caderno especial de imagens, com reproduções coloridas das obras comentadas nos ensaios. Esse 14º volume da coleção Outros Critérios, organizada por Sonia Salzstein, é material privilegiado para a ampliação da leitura da obra de Matisse e para o reexame da tradição moderna.


