Nada mais que a verdade: a extraordinária história do jornal Notícias Populares

Nostalgia é a palavra que surge mais forte da leitura de “Nada Mais Que A Verdade – A Extraordinária História do Jornal Notícias Populares”. Mesmo quem nunca teve nas mãos uma edição percebe que o jornal era fruto de tempos  em que a precariedade e a criatividade reinante, produziam causos impensáveis  ao jornalismo politicamente correto que predomina hoje nos grandes jornais (particularmente os paulistas).

Fundado em 1963, pelo romeno Jean Mellé – que por 10 anos foi preso político de Stálin, na longínqua Sibéria, devido às má-criações contra os comunistas proferidas pelo jornal que editava – o NP nasceu como um contraponto ao conservador Última Hora, de Samuel Wainer, tendo os mesmos alicerces jornalísticos (sexo, crime, esporte, sindicatos) característicos do jornalismo popular. Com a tomada de poder dos militares, o NP deixa a política e adentra as décadas de 1970 e a de 1980 rendendo causos históricos da imprensa brasileira, entre os quais o Bebê-Diabo, um recém-nascido que o NP acreditava ser a reencarnação do Coisa Ruim. No final da década de 1980 vem a reformulação: Otávio Frias Filho, herdeiro do grupo Folha da Manhã, que editava a Folha de S.Pauloe o NP, traz manuais e adequações comerciais que, tendo dado certo na Folha, se revelaram limitantes à “anarquia do jeitinho” que comandava o periódico popular.

Nos anos 90vários editores ainda tentaram manter a chama viva do jornal até que, em 1999, a criação do Agora– um jornal popular mais limpinho e correto – pelo mesmo grupo da Folhaacelerou a morte do Notícias Populares, decretada tristemente na edição de 20 de janeiro de 2001.

“Nada mais que a verdade” narra o nascimento, a ascensão e a queda do jornal como um bom romance, em linguagem simples que fisga o leitor comum. Deixa saudade dos tempos irresponsáveis do jornalismo diário no Brasil, quando não era tão padronizado por manuais e regras para deixar o “produto” apto para as massas (que hoje são cada vez menores e mais velhas).