CULTURA E SOCIEDADE
A edição de Cultura e Sociedade, clássico de Raymond Williams, inventor dos estudos culturais, é animadora num momento em que se realizam debates em vários lugares do Brasil e da América Latina. Nele são discutidos os novos significados que a palavra cultura assumiu numa certa modernidade inglesa.
Pensadores como Burke, Coleridge, Arnold, Eliot, Richards e Leavis se inserem na tradição cultivada nos estudos, crítica literária e ensaios sobre política e sociedade. Para Williams, o cultivo da alta cultura funcionaria como resposta ao processo aberto pela Revolução Industrial e como alternativa à suposta anarquia social promovida pelo novo modo de produção e pela emergente democracia. Como mostra o autor, essa ideia-força avançou para o século XX, com Leavis e Eliot defendendo que as “melhores coisas feitas ou escritas” poderiam salvar a humanidade do caos.
Em contraponto à visão elitizada de cultura, ele propõe uma concepção de cultura como todo um modo de vida, que não seja só um fragmento da cultura humana. Segundo ele: “Uma cultura comum não pode colocar quaisquer restrições absolutas à participação em quaisquer de suas atividades”; ela brota de uma nova experiência comum, de uma “cultura viva” que deveria encorajar a contribuição de todos e cada um “para o avanço da consciência” e para a criação de instituições democráticas coletivas.
Junto com cultura aparecem os termos indústria, democracia, classe e arte, o que revela que não é possível pensar o fazer cultural fora das várias instâncias da sociedade, e é a articulação dessas esferas que dá o caldo para o surgimento dos estudos culturais.
A leitura dessa obra passa a ser referência de cursos de pós-graduação e também pode dar base para a discussão sobre políticas culturais, já que tem muito a dizer sobre as possibilidades de um mundo igualitário, dinâmico e feliz. Em tempos de forte movimentação de grupos culturais, a obra convida para o debate e a atuação na sociedade.


