Mediações, tecnologia e espaço público: Panorama crítico da arte em mídias móveis
Cultura digital, mídias móveis, arte e tecnologia. Precisamos entender como esses elementos, presentes em nosso dia a dia, interatuam em nosso ambiente, qual é sua relação com o espaço público e quais são suas implicações na sociedade. Esse livro reúne discussões relevantes de diversos especialistas, organizadas em três partes: “Cultura digital: contexto e emergência das redes móveis”, “Mídias locativas: desdobramentos sociais e políticos” e “Estudos de caso: redes em espaços urbanos”.
As primeiras páginas trazem uma linha do tempo que traça a aproximação progressiva da arte com as telecomunicações: desde o protótipo do kinetoscópio de Thomas Edison em 1891, passando por acontecimentos relevantes como a finalização de O homem com a câmera, de Dziga Vertov, em 1929, ou o lançamento da primeira rede de telefonia celular em 1979, no Japão, chegando finalmente ao panorama dos smartphones da atualidade.

As “mídias locativas” são dispositivos, sensores e redes digitais sem fio e seus respectivos bancos de dados “atentos” a lugares e contextos, como pontua André Lemos no texto “Arte e mídia locativa no Brasil”. Se num primeiro momento se falava sobre a transposição do “real” para o virtual com a chegada da internet, agora se discute o “download” do ciberespaço para nosso território, possibilitando uma nova mobilidade informacional, que dota o espaço de novos sentidos.
Ao criar/distribuir/fruir conteúdos nesse suporte híbrido, é preciso levar em conta suas possibilidades de discurso e características técnicas que compõem um cenário revolucionário para a produção artística. As telas agora são menores; o espaço se tornou múltiplo, aleatório, mas também rastreável. O espectador divide a atenção com outros elementos e colabora para a construção da narrativa. O livro contribui ao lançar esse emaranhado de experiências e pontos de vista sobre a mesa para a digestão do leitor.

