A escola pública aposta no pensamento
O livro traz um conjunto de textos produzidos por pesquisadores da UERJ e por professoras da rede municipal de ensino de Duque de Caxias (RJ). O objetivo dos relatos é dar a conhecer o projeto “Em Caxias, a filosofia em-caixa?”, que ao longo de quatro anos compartilhou a experiência da filosofia com alunos das escolas públicas. Quais foram os desafios? E as resistências? Qual foi o impacto da filosofia na prática escolar? A resposta dos autores é que a filosofia leva as crianças a suspender a rotina curricular pré-formatada, despertando-as para um mundo no qual as perguntas e os questionamentos são mais valiosos do que a verdade das respostas.
Com isso, os textos oferecem diferentes perspectivas sobre os efeitos do projeto nas escolas e levam o leitor a algumas reflexões importantes sobre as práticas já tão desgastadas do ensino escolarizado: ainda precisamos dos mesmos modelos disciplinares, dos mesmos ritos pedagógicos, das mesmas velhas instituições? Essas questões são, sem dúvida, a grande contribuição da publicação, indicada não só para professores interessados em novos projetos didáticos como para alunos de todas as licenciaturas.
Por outro lado, é preciso dizer que a maioria dos textos acaba por referendar uma velha estratégia dos discursos educacionais: condena-se a rotina escolar atual em nome de outra escola, que seria capaz de romper com a percepção habitual do senso comum. A despeito das boas intenções dos autores, os relatos reafirmam essa frágil esperança sem problematizar a existência naturalizada da maquinaria escolar. Nesse sentido, a questão mais radical para a filosofia atual deveria ser: a escola aposta no pensamento ou o pensamento não deveria mais apostar nas escolas como grade de governo da infância?
O grande mérito do livro é sugerir que, a partir do encontro com a filosofia, cabe ao devir-criança inventar um novo mundo escolar, ou, talvez, um mundo sem escolas.


