Antologia do cordel brasileiro

A apresentação começa com a sentença “A literatura de cordel brasileira […]”, denotando que mesmo autores jovens como Marco Haurélio não se livram de conceitos equivocados e enraizados quando o tema é o cordel.
O estudioso do assunto Aderaldo Luciano ensina que o cordel não é uma literatura brasileira à parte ou uma subliteratura. É um gênero literário que pertence à literatura brasileira e ponto. Está ombro a ombro com a poesia, o conto, a novela, o romance e a crônica.
O deslize inicial é compensado quando, na mesma apresentação, escreve: “estudiosos, que se embaraçam na busca pelas origens do cordel, ou se perdem no labirinto de obviedades dos que confundem este gênero com a poesia matuta ou com o canto improvisado dos repentistas”.
Equívoco é cunhar: “poesia de cordel”. No cordel pode haver ou não poesia, mas não é essencialmente poesia. Também não é cantoria de repente.
Não concordo com o termo “poesia matuta”. Não há poesia matuta, poesia urbana, poesia clássica, poesia moderna, poesia concreta, poesia marginal etc. Há a poesia e ponto.
A antologia traz somente quinze autores, deixando de fora uma enorme gama de excelentes cordelistas.
Dos quinze selecionados, quatro são paraibanos e quatro cearenses. Os paraibanos são das primeiras gerações do cordel, enquanto os cearenses são da nova geração. Paraíba e Ceará são os estados proeminentes do cordel brasileiro. Não por acaso, o mais importante cordelista brasileiro, Leandro Gomes de Barros, nasceu em Pombal (PB), e a lendária editora de cordel Lira Nordestina, cuja história se confunde com a história do cordel brasileiro, é de Juazeiro do Norte (CE).
Embora com lacunas, os dois estados estão bem representados. É esse o ponto alto da antologia. Merecem também menção as xilogravuras do carioca Erivaldo Ferreira da Silva.