Judith Butler e a teoria queer
Como bem demonstrado pelo título do livro, o tema a ser abordado é a teoria queer e sua relação com o processo de aquisição da identidade e do sujeito. Para isso, Sara Salih produz uma interlocução com o leitor a fim de criar um melhor entendimento sobre as teorias de Judith Butler e sua abordagem crítica das questões da formação da identidade e da subjetividade, descrevendo os processos pelos quais nos tornamos sujeitos e como são assumidas as identidades sexuadas construídas no interior de estruturas de poder existentes.
O livro parte de uma breve análise das teorias mais conhecidas de Judith e sua relação com as teorias psicanalíticas, feministas e pós-estruturalistas para organizar a interpretação sobre a questão da identidade e os estudos de gênero. Apoiando-se em estruturas linguísticas em formação para tratar dos indivíduos e dos sujeitos por meio de um método de escrita inquietante e questionador, a autora desmitifica os temas abordados por Judith. Sua obra encontra-se, segundo Sara Salih, em uma relação dialética com as ideias e as teorias que a precedem, fortemente influenciada por Hegel e sua fenomenologia do espírito, Michael Foucault e a construção do sexo e da sexualidade, Derrida, Freud, Lacan e Simone de Beauvoir. As teorias de Judith vão sendo apresentadas, criando-se um quadro teórico para suas formulações.

A busca preocupada e inquietante de Judith, em grande parte com a análise e a consequente desestabilização da categoria “o sujeito”, dando espaço para temas como a formação do sujeito no interior das estruturas de poder sexuadas, ganha espaço nessa obra, possibilitando que o leitor acompanhe a relação de Judith com pensadores e teorias centrais, as quais consistem em uma combinação do foucaultianismo, psicanálise e feminismo, caracterizando sua obra como parte daquilo que faz que suas teorias sejam qualificadas como queer.

