A arte no mundo dos homens: o itinerário de Lukács

A obra, integrante da coleção Arte e Sociedade, da Editora Expressão Popular, reconstrói as bases teórico-filosóficas (ontológicas) que fundamentam a compreensão da arte estabelecida por György Lukács. Além disso, pode-se acompanhar a trajetória intelectual percorrida pelo filósofo desde sua adesão à teoria social de Karl Marx, cujo marco é o polêmico História e consciência de classe (1923), até as formulações fixadas em sua Estética e em sua Ontologia do ser social. Esse caminho não se deu sem percalços, alguns fecundos – a exemplo dos debates estabelecidos entre ele e teóricos marxistas afeitos ao debate em torno da arte, como Bertolt Brecht e Walter Benjamin –, outros vinculados à política do Estado soviético sob o comando de Stalin que, além de adiarem o desenvolvimento de seu pensamento, obrigaram Lukács a várias falsas autocríticas táticas que lhe permitiram manter-se ativo, até o fim da vida, no movimento comunista.

Para essa reconstrução, Celso Frederico remonta o debate estético-filosófico nos marcos daquilo que se constituiu como uma das três fontes do pensamento marxista. Ele analisa a crítica empreendida por Feuerbach às concepções de Hegel e enxerga aí as bases de reflexão desenvolvidas nos Manuscritos econômico-filosóficos, de Marx. Este último marcou profundamente a concepção lukacsiana de arte, sobretudo no tocante à perspectiva ontológica e materialista.

Ocupa lugar de destaque na trajetória do filósofo húngaro sua defesa do realismo enquanto método de composição artístico que imputava à arte se tornar um sistema de conhecimento antropomorfizadora da realidade, bem como abria a possibilidade de ela ser uma forma de autoconsciência de desenvolvimento da humanidade.

O livro é resultado de pesquisas em torno das obras de Marx e Lukács desenvolvidas por Frederico ao longo de mais de trinta anos e cumpre, seguindo a melhor inspiração do filósofo húngaro, enquanto teórico e comunista, a tarefa de construir uma ponte entre o passado e o presente.