O Capital
Houve diversas – e antagônicas – interpretações acerca de O capital, de Marx, obra que expressa um esforço descomunal de compreensão do modo de produção capitalista. A nova edição da Boitempo, com tradução cuidadosa realizada diretamente do alemão e com o acréscimo de três apresentações (de Jacob Gorender, de Louis Althusser e de José Arthur Giannotti), propicia que façamos justiça a esses embates.
Temos, sob esse aspecto, condições para um debate honesto. Essa obra, porém, é também essencial e atual sobretudo por seu conteúdo, que pode ser visto com outros olhos no momento presente, de crise da sociedade capitalista.

Marx desvenda o modo como é real e efetiva a subordinação da força de trabalho ao capital. Explicitando que houve certa tendência na economia política a se ater à circulação de mercadorias, o autor explica não se tratar de um acaso que tais posições tomassem esse rumo (que configuram o bê-á-bá de nossos noticiários econômicos hoje): com a conformação da relação-capital, tem-se a separação do trabalhador de suas condições de vida, o que é tomado por suposto na esfera da troca e da circulação; o capital, assim, tem por trás de si a violência e a espoliação, que tornam o trabalhador “livre” de sua propriedade dos meios de produção e “livre” para vender sua força de trabalho no mercado.
Ou seja, o modo de produção em que a circulação de mercadorias é tendencialmente universal é aquele da dominação classista, dominação essa que é a linguagem natural das diversas ideologias que procuram mostrar o modo de produção presente como insuprimível.
Estamos, assim, diante de um texto ímpar e que também se coloca decididamente contra a resignação diante das “fatalidades” da sociedade capitalista. Trata-se, sem dúvida, de leitura obrigatória.

