Política e classes sociais no Brasil dos anos 2000

Com olhar acurado e crítico sobre a política brasileira na primeira década do século XXI, o livro reúne nove artigos elaborados por membros do grupo de pesquisa Neoliberalismo e Relações de Classe no Brasil, sediado no Centro de Estudos Marxistas (Cemarx) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os textos se dividem em dois grandes blocos: o primeiro trata das classes dominantes e o segundo, das classes médias, dos movimentos populares e sindicais.

Segundo os autores, houve uma mudança na configuração das classes dominantes e das classes dominadas, ao se comparar as décadas de 1990 e 2000. O governo Lula teria alterado a posição da burguesia interna brasileira no seio do bloco no poder por meio de políticas de estímulo ao capital nacional e estatal com financiamento do BNDES, a exemplo do setor das telecomunicações, com a fusão da Oi com a BRT e a reativação da Telebrás. Essa política econômica é nominada ao longo da obra como neodesenvolvimentista.

A política de valorização do salário mínimo, a geração de empregos e as políticas sociais assistenciais são identificadas pelos autores como fatores que contribuíram para a reascensão do movimento sindical e grevista, trazendo, ao mesmo tempo, novos desafios aos movimentos sociais, em especial aos sem-teto e desempregados. Destaca-se também a reconfiguração do movimento sindical a partir da divisão e fusão de antigas centrais sindicais e da criação de novas organizações como a Conlutas e a Intersindical.

Já sobre as classes médias, que foram amplamente afetadas pelas políticas neoliberais, aponta-se a forte participação que tiveram tanto no movimento antiglobalização (Fórum Social Mundial) como no processo de impeachment do presidente Collor.

A originalidade dos artigos está contida na própria perspectiva teórica adotada, já que tratam o conflito político como um conflito entre classes e frações de classes que, dada a atual correlação de forças, se limita à luta pela distribuição da riqueza − e não pela tomada do poder do Estado.