Política e polícia: cuidados, controles e penalizações de jovens

Atento à ascensão de novas técnicas de controle na sociedade contemporânea, o livro revela a produção de vidas encarceradas para além dos limites da prisão-prédio, especialmente voltada para jovens em conflito com a lei. Com base na análise do Projeto Pró-Menino da Fundação Telefônica, o autor expõe o desdobramento de práticas de “controle a céu aberto de jovens considerados infratores” contidas em bancos de dados, em projetos assistenciais e de penalização.

Dialogando com Foucault, o autor destaca que essas novas medidas de contenção da liberdade fazem parte de uma política de controle em sentido amplo, que busca manter os jovens dóceis, obedientes e controláveis. De acordo com o livro, o que temos hoje é a produção de vidas encarceradas, a ampliação do governo das polícias, a proliferação de tecnologias de monitoramento e vigilância, e ruas cada vez mais controladas e governadas. Vislumbra-se um “campo de concentração a céu aberto”, em que populações consideradas indesejáveis são controladas e exterminadas. Mas como tudo isso é possível se vivemos numa democracia que prega a participação social, a responsabilidade, a tolerância e a moderação?

Augusto destaca a proliferação de condutas conservadoras presentes em vários segmentos sociais, inclusive nos próprios jovens capturados pelos dispositivos de controle. Há uma disseminação das “polícias em todo canto: polícia do Estado, Exército como polícia, polícia da polícia e prática cidadã como conduta policial”. Até mesmo as resistências parecem ser “rapidamente acomodadas e conformadas”.

O livro indaga o papel da sociedade civil, especialmente o das parcerias público-privadas, na constituição dessas sofisticadas políticas de governo da vida e de controle. Elas se apresentam como projetos inclusivos e de direitos, mas seus efeitos permanecem os mesmos: o aprisionamento dos jovens.

Leitura imperdível, que contribui para a compreensão das ambivalências de nossa atualidade.