A experiência da procura de trabalho. Interações, vivências e significados

O Brasil vive uma forte onda de geração de empregos formais, mas boa parte destes surge em ocupações de menor qualificação e remuneração, no comércio e nos serviços padronizados, para os quais as empresas recorrem crescentemente aos serviços de intermediação e subcontratação de mão de obra. Conforme revela o livro, estes são nichos ocupacionais que atraem predominantemente jovens de origem social modesta, com níveis de instrução intermediários e pouca experiência de trabalho.

A cuidadosa etnografia revela a miríade de instituições e agentes responsáveis por “fabricar” candidatos; do pitoresco plaqueiro, passando pelos fabricadores de CVs, às agências de subcontratação de mão de obra, nas quais, por meio de “testes psicológicos” e de aptidão, dinâmicas em grupo e sessões de aconselhamento (como falar, se apresentar, se vestir e se portar), a filtragem e preparação dos candidatos são concluídas.

Muitas vezes as qualidades e qualificações exigidas e aprendidas nesse périplo não existem nem são necessárias: em que a “boa aparência”, o “espírito de liderança” e a “facilidade para trabalhar em equipe” – o que quer que esses lugares-comuns queiram dizer ou, na verdade, não queiram dizer – colaboram para que alguém seja um bom operador de telemarketing, por exemplo?

O problema da inserção dos jovens no mercado de trabalho não é brasileiro, é mundial; e se tornou mais e não menos complexo pelo fato de os indivíduos hoje serem mais escolarizados do que no passado, porque suas expectativas crescem junto com os anos de estudo. Lendo o livro (embora esta não seja uma conclusão explícita do trabalho), contudo, é difícil não concluir pela irracionalidade, do ponto de vista social, com que o mercado de intermediação de mão de obra vem “resolvendo” esse problema. Se quisermos encontrar causas menos conjunturais para a insatisfação dos jovens brasileiros, esse livro oferece boas luzes.