SUSTENTÁVEIS E ORGÂNICOS

 

Espero que você esteja com sua taça na mão, afinal vamos falar de vinhos. Confesso que fiquei curioso por saber com qual dos dois vinhos que indiquei na outra edição você se deu melhor. De qualquer forma, saiba que uma taça na mão só lhe fará bem. Existem mais de 2 mil estudos científicos comprovando os benefícios à nossa saúde do consumo regular e parcimonioso do vinho. Mas isso é assunto para outro artigo. Hoje falaremos dos vinhos que namoram a cultura sustentável e os orgânicos.

Como se sabe, é a demanda que faz a oferta, e não o contrário, e assim também no vinho a consciência do consumidor, principalmente dos jovens, vem priorizando os produtos puros, limpos, que não afetem o meio ambiente.

O primeiro passo nesse caminho por parte dos produtores são os vinhos de cultura raisonnée ou lutte raisonnée, que são produtores que namoram a independência dos químicos. Esses viticultores se preocupam em trabalhar o meio ambiente, o tratamento de efluentes, a compostagem, o uso de garrafas mais leves, a redução de emissão de carbônicos e a diminuição de químicos nos vinhedos. Em qualquer emergência, porém, lançam mão dos produtos químicos.

Eles agem como aquele pai que resolveu criar o filho com homeopatia, mas quando sobe a febre dá logo umas gotas de dipirona. Sabe-se que com banhos de banheira se reduz a febre sem o uso de remédios alopatas, mas isso dá mais trabalho. Na agricultura é ainda mais trabalhoso evitar os químicos. As vinhas precisam ser inspecionadas diariamente, uma por uma.

Os vinhos orgânicos são, na verdade, vinhos produzidos com uvas de vinhedos orgânicos. Há certificados para isso, e não se admite nenhum produto químico no vinhedo em momento algum. No momento de elaborar o vinho, porém, não se fazem exigências. O produtor pode, por exemplo, usar leveduras selecionadas por outro vinhedo, o que interfere no resultado final do vinho – algo como você fazer um sotaque que não é seu. É falso.

Existe de tudo na vinificação hoje em dia, desde leveduras selecionadas ou mesmo transgênicas, adição de aromas, estabilizantes químicos, osmose reversa para retirar excesso de álcool, até infusões de sachês de lascas de madeiras aromatizadas, que por meio do uso de micro-oxigenação são potencializadas e incorporadas ao vinho, dando a ideia de que a bebida passou por estágios de evolução em barricas de carvalho francês. Como diz o famoso produtor biodinâmico do Vale do Loire Nicolas Joly: “A enologia moderna existe apenas para corrigir os erros que os homens cometem no vinhedo”.

No entanto, esses vinhos já são um grande passo, pois no campo as coisas começam a melhorar, e com o tempo esses produtores entenderão que quanto mais derem atenção ao campo, menos problemas terão. No próximo artigo vamos falar dos biodinâmicos. Por enquanto, sugiro a você dois exemplos de vinhos a bom preço que representam a cultura raisonnée e a orgânica.

Como exemplo de um lutte raisonnée, sugiro o Tannat/Merlot Côtes de Gascogne 2012, delicioso e estruturado, com ótima acidez, do produtor Alain Brumont, do Sud-Ouest (França).

Você o encontra na www.decanter.com.br a R$ 56,00.

Como exemplo de vinho orgânico, experimente o Nativa Terra Reserva Cabernet Sauvignon 2010. Custa R$ 57,00 na www.mistral.com.br. Um vinho direto, franco, típico Cabernet Sauvignon (90%), com toque delicado da Carménère e da Merlot, com 5% cada uma, e ligeira passagem por barrica. Vinho limpo e sincero.

 

Saúde!