ARTISTA: LAFA

Para esta coluna, escolhi o carioca Daniel Lafayette, o Lafa, que em minha opinião, é um dos melhores quadrinistas do Brasil (já há algum tempo). Seu traço é aquele fofo e colorido, que lembra desenho animado (eu costumo dizer que é do tipo que você olha e tem até vontade de comer). Uma mistura de Jim Woodring, Matt Groening e Cartoon Network, mas completamente único (o que me agrada muito em qualquer artista: bater o olho e saber de quem é o trabalho). Engana-se, porém, quem pensa que suas tiras são fofinhas: o conteúdo beira o bizarro e tem um humor muito peculiar.

E é isso que me atrai no trabalho dele: a mistura da fofura, do bizarro e do humor (muitas vezes humor negro). Acho que o Lafa faz isso como ninguém aqui no Brasil. Diria que seu humor é o do riso tenso, oriundo das facetas mais bizarras e grotescas da experiência humana.
Ele tem muita coisa produzida (está na ativa desde 1997) e seu material é de uma qualidade excepcional. É um mestre em fazer tirinhas e desenvolver personagens. Foi muito complicado escolher apenas três tiras (entre tantos personagens e séries que ele cria) para mostrar para vocês. Ainda não entendo (e até me revolto) como nenhum jornal contrata o Lafa para publicar suas tiras diariamente (alô, editores!!!). Em 2011, Lafa publicou o livro de coletâneas Ultralafa (Editora Leya). Recomendo.

