Vinhos Biodiâmicos

A biodinâmica surgiu no início do século XX com as pesquisas do austríaco Rudolph Steiner, que resgataram conhecimentos ancestrais e foram além, estudando o conceito de que a Terra está em relação com os outros planetas e recebe suas influências, e que o ciclo de equinócio e solstício é um respirar energético do globo. Segundo essa teoria, se um sistema estiver em equilíbrio, ele não ficará doente. A doença, portanto, seria fruto de desequilíbrio.

O princípio biodinâmico no vinhedo determina que se deve agir no momento em que a fotossíntese está transformando a energia solar em matéria. Nas uvas, essa energia chega a 94% de toda a matéria!

Os adeptos do biodinamismo também observam inúmeras informações desprezadas pela ciência, como ciclos lunares, posições astronômicas dos astros do sistema solar e compostos animais para cada tipo de necessidade. Fazem também a dinamização de produtos para serem aplicados no vinhedo, como chás, sílica etc. O cultivo biodinâmico exige vasto conhecimento e é muito trabalhoso.

Para você ter ideia de um desses processos, imagine que um composto de fertilizante animal é enterrado no vinhedo dentro de um chifre de vaca, no período entre um equinócio e outro, pois, quando desenterrado, tem oitenta vezes mais potência que o mesmo composto que não passou por esse procedimento.

A ciência não sabe explicar a razão e tenta ridicularizar esse tipo de teoria, mas não podemos ignorar seus efeitos.

É importante saber que os vinhos se fazem pela ação das leveduras da própria uva. Elas transformam o açúcar em álcool e deixam na bebida todo o registro do local. Há inúmeros tipos de levedura, algumas não muito desejadas. Os vinhos puros de verdade usam apenas suas próprias leveduras. Isso é fundamental para garantir a autenticidade do produto, que deve transmitir seu local e ter seu próprio sotaque. Só com um vinhedo limpo e livre de aditivos químicos podem-se obter vinhos bons com as próprias leveduras.

Nos vinhos convencionais, essas leveduras são mortas por adição de SO2 (anidrido sulfuroso) e depois outras leveduras são adicionadas, muitas vezes de outros lugares. Existem nada menos que 350 tipos diferentes de levedura que podem ser adicionados no vinho para transformá-lo no que ele não é.

Se você se interessa por esse tema, sugiro que leia o artigo disponível em www.didu.com.br/2013/11/por-que-vinhos-biodinamicos/, no qual publico importante texto de Nicolas Joly.

Hoje há importadoras apenas de biodinâmicos, como a De La Croix, a Galeria do Vinho, a Bionisos e a Weinkeller, além de mais de duzentos rótulos nas conhecidas Mistral, Vinci, WorldWine, Decanter, Zahil, Premium, Casa Flora, Vinica etc.

Vou lhe dar duas dicas de vinhos biodinâmicos, um argentino e um brasileiro, para que você experimente a sinceridade, o sotaque e a pureza deles. Beba a garrafa toda e nem se preocupe com o dia seguinte. Depois me conte.

 

O argentino é o Bonarda Colonia Las Liebres – custa R$ 49 na www.worldwine.com.br – e o brasileiro é o Vinha Unna Barbera – R$ 82,00 na www.enotecasaintvinsaint.com.br. Esses vinhos devem ser decantados por meia hora ao menos, pois assim eles crescem e se abrem, oferecendo o que têm de melhor. Experimente a pureza de um terroir de verdade.

Saúde!