A JAULA DE AÇO – MAX WEBER E O MARXISMO WEBERIANO
A JAULA DE AÇO –

Responsáveis pelas duas principais “grandes narrativas” que orientaram os debates intelectuais e acadêmicos nas Ciências Sociais do século XX, Karl Marx e Max Weber transformaram-se em símbolos de estratégias teóricas e políticas antagônicas em relação à modernidade capitalista. Suas obras tornaram-se a ponta de lança não apenas de dois diagnósticos teóricos divergentes sobre o presente, se não também de perspectivas opostas quanto ao futuro: possibilidade de uma modernidade alternativa (socialista), para Marx; aceitação resignada do capitalismo, almejando controlar suas tendências excessivamente burocráticas, no caso de Weber. Sem fazer tábula rasa dessa história conflituosa, Michael Löwy esboça no livro os contornos de um diálogo possível entre os dois pensadores, cujas análises da modernidade revelam algumas afinidades impressionantes, desde que visualizadas sob a ótica da crítica à ordem vigente, como o fizeram os “marxistas weberianos” do passado.
Presente em sua trajetória particularmente após sua “redescoberta” por Walter Benjamin no fim dos anos de 1970, a crítica “marxista-weberiana” constitui, em Löwy, uma crítica global (“pessimista revolucionária”, segundo a fórmula benjaminiana) da civilização capitalista moderna “desencantada”, assim como de seus fundamentos filosóficos: as noções de “progresso” e de “dominação da natureza” – crítica hoje fundamental para a construção de uma perspectiva “ecossocialista”.
É bem verdade que, em muitos momentos, no afã de elaborar uma crítica (marxista) antenada ao presente, Löwy realiza uma leitura excessivamente enviesada de Weber, tomando-o mais por aquilo que ele gostaria que fosse do que pelo que o sociólogo alemão efetivamente foi. A originalidade de sua abordagem, porém, como se vê nesse livro, decorre exatamente de sua disposição de, partindo de certa leitura do marxismo, encaminhar outra interpretação possível da obra de Weber, contribuindo para a renovação e atualização de uma teoria social crítica radical da modernidade capitalista contemporânea.
[Fabio Mascaro Querido] Doutorando em Sociologia pelo IFCH-Unicamp, com parte do doutoramento em realização na École des Hautes Études en Sciences Sociales (Ehess – Paris, França). Bolsista da Fapesp (Bepe).

