Na Gagaúzia, a Rússia bate à porta da Europa
Ortodoxa e russófila, essa pequena província autônoma da Moldávia volta seu olhar para o leste. Moscou vê nela um posto avançado precioso na frente ocidental e procura consolidar ali sua influência. No entanto, outras potências também se interessam por essa região de encruzilhada, acostumada às influências imperiais
O ambiente é tranquilo nas ruas de Comrat, capital da região autônoma da Gagaúzia. As bandeiras da região tremulam sobre cada prédio da via principal, a Rua Lenin. Na praça central, uma estátua do mesmo Lenin ergue-se diante do parlamento regional, a Assembleia Popular da Gagaúzia. No meio da tarde, não é raro ouvir as crianças da escola entoarem o “Tarafim”, hino em louvor ao território, enquanto, no início da noite, os moradores se reúnem e passeiam em pequenos grupos pelas alamedas da cidade. No entanto, a Gagaúzia está sob tensão. Algumas semanas antes, em 25 de março de 2025, Evghenia Gutsul, a governadora da província autônoma (localmente chamada de bachkan), foi detida pelas autoridades anticorrupção da Moldávia no aeroporto de Quixinau, enquanto se preparava para decolar com destino a Istambul. Ela é acusada por manter laços com o oligarca israelo-moldavo e pró-Rússia Ilan Shor, fundador do partido político que…

