CORRIDA PELO FÓTON

Sombras e luzes do agrovoltaísmo

Prometendo conciliar agricultura e produção de eletricidade solar, o sistema agrovoltaico vem se desenvolvendo de forma fulgurante na França. Por trás da ambição declarada, porém, está o apetite financeiro das empresas de energia. A permissividade regulatória atual corre o risco de sacrificar terras e paisagens em nome do crescimento, deixando uma fatia irrisória da renda para o mundo agrícola, dividido sobre o tema

Na região de Aspres, na França, um campo de 4,5 hectares de vinhas está salpicado de postes de aço que sustentam fileiras de painéis fotovoltaicos 5 metros acima das plantações. Os motores que orientam permanentemente os painéis em direção ao Sol emitem um leve zumbido. No chão, centenas de sensores medem a umidade, a temperatura, a luz e o crescimento dos sarmentos. Esses dados permitem aos computadores da empresa Sun’Agri, com a ajuda da inteligência artificial, controlar de Lyon a inclinação dos painéis solares, na esperança de otimizar ao mesmo tempo a produção agrícola e a produção de eletricidade. “Entrei em contato com essa empresa em 2017 para proteger minhas terras da seca”, lembra Pierre Escudié, proprietário das vinhas. “Com cinco horas de insolação por dia no verão, as vinhas ficam protegidas e recebem tudo de que precisam. Esse sistema funciona bem do ponto de vista agronômico. Quanto ao rendimento,…

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