Uma conversão amarga
Cada vez mais empresas alemãs reorientam sua produção para o setor militar. Para os trabalhadores e os sindicatos, essa mudança alimenta um dilema difícil de resolver
“Antes, construíamos coisas úteis, para transportar pessoas. Agora, fazemos coisas que vão matá-las.” Tony Menzel se lembra de ter sentido as lágrimas brotarem dos olhos no dia em que “sua” fábrica de Görlitz, uma pequena cidade da Saxônia na fronteira com a Polônia, se transformou em uma manufatura de armamentos. Havia 176 anos que se fabricavam vagões no local, os cinco últimos sob o controle da multinacional francesa Alstom. O produto, um trem regional vermelho de dois andares, simboliza as pequenas viagens ferroviárias em quase toda a Alemanha. “Todos nós tínhamos orgulho dele”, conta Menzel. Agora, sob o controle do grupo franco-alemão KNDS, entre trezentos e quatrocentos trabalhadores, dos setecentos que ali trabalhavam, produzem peças para os tanques pesados Leopard 2 e para o veículo blindado de combate de infantaria Puma, ambos fornecidos à Ucrânia. Menzel trabalha na fábrica há vinte anos, assim como seus pais antes dele. Na época…

